Alô, leitores do Bearnerd – James falando! Vocês devem lembrar de mim dos vídeos da série “Jim com Limão” </troymcclurefeelings>. Hoje, eu estou aqui pra falar sobre uma série de quadrinhos com um senhor apelo pra nós, ursos nerds.

Bludgeon é o fruto do trabalho do roteirista, desenhista, ator, urso e nerd Jeremy Owen.

O primeiro número, ou #0, começa com o personagem principal, Mike, chegando na cidade de Albuquerque, no estado americano do Novo México. Ao descer do ônibus, ele procura a primeira birosca local para matar a fome e conseguir informações sobre a cidade, onde pretende se instalar.

É uma típica história de introdução do protagonista, onde ele se encontra em um lugar novo para ele e, presumivelmente, para o leitor, e isso nos dá a chance de nos familiarizarmos com o personagem, enquanto ele se familiariza com seu novo ambiente.

A história arruma, ou começa a arrumar, as peças para o que parece ser a jornada do protagonista, que obviamente está em busca de alguma coisa que ainda não está muito clara para o leitor, mas tem relação com acontecimentos estranhos que ele vem acompanhando.

Owen tem um ouvido muito bom para diálogo, e a interação entre Mike e Alice (“a balconista faladeira”, impagável) é um ótimo exemplo disso. Os diálogos fluem bem e pescam a curiosidade do leitor. A arte também é bastante competente, e nota-se uma melhora significativa à medida em que as páginas avançam, o que demonstra o grau de envolvimento do autor coma obra. Particularmente, me chamaram a atenção os cenários e a linguagem corporal dos personagens.

Aliás, eu devo comentar que nosso protagonista, Mike, é também um BELO urso!

Resumindo, gostei bastante desse primeiro número de Bludgeon, e aguardo o desenvolvimento da história, que me parece bastante promissora.

Segue agora uma entrevista exclusiva pro Bear Nerd com Jeremy Owen, onde ele fala um pouco de si mesmo, seus trabalho, hobbies e influências:

BN – No perfil pessoal no seu site, você diz eu tem desenhado a maior parte da vida. E quanto aos quadrinhos, especificamente? Você sempre foi fã? Que tipo de gibis você gosta? Você acompanha algum autor ou personagem, especificamente? Conte-nos um pouco sobre sua relação com os quadrinhos!

Eu adoro gibis e super-heróis. Desde  que eu consigo me lembrar, sou fã dos heróis da DC por causa do desenho animado dos Super-Amigos. O Superman, o Batman e o Lanterna Verde eram meus favoritos (eu ainda tenho minha action figure do Superman que eu ganhei aos cinco anos de idade). À medida que eu fui ficando mais velho, comecei a colecionar os gibis (por volta da 4ª ou 5ª série). Principalmente material da Marvel…Homem-Aranha  X-Men. Daí, mais tarde, a Image apareceu e eu comecei a ler uma tonelada de títulos, praticamente qualquer coisa na qual eu pudesse pôr as mãos,  tanto popular quanto independente. Durante um período na faculdade eu fiquei duro, e não conseguia decidir quais títulos largar e quais continuar, então parei de comprar tudo, com exceção de alguma edição encadernada vez ou outra. Depois de adulto, voltei a colecionar, mas principalmente coisas de editoras pequenas. Eu ainda leio os títulos das grandes editoras quando algum amigo me empresta mas geralmente só compro independentes. Isso me faz parecer um hipster, né? Mas é a direção onde meus gostos foram parar.

Quanto aos meus personagens favoritos? Batman, Deadpool, The Maxx, The Tick, Kevin Matchstick (da série Mage, de Matt Wagner), Johnny the Homicidal Maniac…E meu gibi favorite de todos s tempos é Scud: The Disposable Assassin. Se você nunca leu Scud, consiga o encadernado “The Whole Shebang”, na Amazon ou algum lugar do tipo. O autor é Rob Schrab e alguns números foram co-escritos por Dan Harmon, que são duas das minhas mentes criativas favoritas trabalhando em TV atualmente (apesar do gibi, Scud, ter mais de dez anos, com exceção dos últimos quatro números, que terminam a história).

Alguns anos atrás eu comecei a me interessar por quadrinhos gays também… Uma área dos quadrinhos completamente desconhecida pra mim, já que eu levei um longo tempo pra me descobrir como um homem gay. Meus favoritos sendo publicados atualmente são Shirtlifter (de Steve McIsaac e outros grandes artistas) e Wuvable Oaf (de Ed Luce). Na verdade, Ed tem sido uma grande ajuda no meu trabalho… Me indicando as direções certas pra entender esse lance de publicação independente.

BN – Quais as suas influências artísticas mais fortes? Que tipo de arte chama a sua atenção?

Essa é difícil… Minhas maiores influências de HQ, criativamente falando, provavelmente incluem Rob Schrab, Jim Mahfood, Chris Bachalo, Sam Keith, Frank Miller, Jhonen Vasquez, Doug TenNapel, Scott Morse e, claro, Ed Luce. Eu também preciso mencionar meu amigo e editor, Greg Freeland II…Ele e um artista fantástico e sempre me inspira a ser melhor no que eu faço. Em relação ao texto, meus favoritos são H.P. Lovercraft, Poppy Z Brite, J. K. Rowling, Neil Gaiman e meu amigo Scott S. Phillips (que tem uma boa mão pra personagens fortes e diálogos sensacionais).

Eu adoro o material do Mike Mignola, especialmente Hellboy. Eu já mencionei que sou um grande fã de HP Lovercraft, e Mignola homenageia bastante o Lovercraft. Isso é algo que eu pretendo fzer o meu gibi também. Eu adoro gibis de horror, e gibis que incluam temas de horror. Acho que sou a única pessoa no planeta que não leu Os Mortos-Vivos ainda, mas está nos meus planos pra quando eu pegar a coleção do meu namorado emprestada. Mage de Matt Wagner também é uma favorita (sem mencionar que o Kevin Matchstick é uma graça).

Tá legal, chega de citar grandes nomes… O que geralmente me chama a atenção, é claro, é arte e estilo visual interessantes (personagens gostosos ajudam também!). Mas também personagens interessantes. Eu sou muito fã de histórias que não só avançam o roteiro, mas também são ditadas pelos personagens. Eu espero que, à medida que eu escreva o Bludgeon eu possa atingir esse padrão nos meus textos, e que minha arte não seja tão horrível que as pessoas parem de ler. 😛

Claro que, como esse é o meu primeiro passo no mundo dos quadrinhos, quem sabe que influências ainda vão se consolidar?

BN – O Bludgeon se muda para Albuquerque em meio à sua jornada para descobrir a origem dos seus poderes bem como “se encontra” como um homem gay recentemente assumido. O quanto da sua experiência pessoal influenciou Bludgeon?

Como eu disse antes, eu levei muito tempo para entender que eu sou gay. Antes dos 23 anos eu nem considerava a possibilidade, e ainda demorou mais um ano até eu encontrar meu primeiro namorado. Eu estou com 31 anos de idade agora – Não tão “verde” quanto antes, mas ainda um novato, comparado a caras que sempre souberam que eram gays. Eu quis incorporar isso no gibi…Eu acho que o Mike só se assumiu há cerca de um ano e meio, pouco depois do seu super-grupo de desfazer. Então agora ele está apenas tentando colocar as últimas peças da sua vida em ordem, tanto pessoalmente e no que diz respeito aos seus poderes.

Eu sempre gostei muito mais as histórias quando a ente sabia mais sobre as pessoas como elas mesmas, do que como seus alter-egos heroicos. Veja, por exemplo, o Homem-Aranha VS. Peter Parker, ou o Batman VS. Bruce Wayne. Tão mais interessante explorer suas falhas como seres humanos e seu estado mental ao lidar com o mundo real, apesar de ainda precisarem colocar uma máscara à noite. Em Bludgeon, meu objetivo é passar tanto tempo com Mike, a pessoa aprendendo quem ele é pessoal e romanticamente, quanto cm Bludgeon, lutando contra vilões e criaturas malvadas.

BN – Você diz no seu website que o gibi terá uma pegada de horror misturada com o aspecto sci-fi inerente aos super-heróis. Como eles vão se misturar? Você vai privilegiar um a despeito do outro? O humor também vai ter vez?

Isso… Eu sou um grande fã de filmes de horror. O Massacre da Serra Elétrica é provavelmente eu filme favorito de todos os tempos. E eu honestamente não acho que misturar horror com sci-fi e super-heróis seja forçar demais a barra. Praticamente todos os gibis de super-heróis que estão por aí há muito tempo tiveram arcos com histórias de horror, ou pelo menos histórias do tipo “O que aconteceria se…?” ou “Túnel do Tempo”, envolvendo o sobrenatural.

Meu gibi vai ter muita criptozoologia e folclore e, se tudo der certo, eu consigo mandar um pouco de horror ancestral Lovercraftiano também.  No próximo número, o Bludgeon vai topar com um skinwalker (que é um monstro bem ruim do folclore indígena do sudeste dos Estados Unidos). Eu quero incluir um monte de monstros, com certeza. Mas vou trabalhar com elementos de ficção científica também. Um dos heróis rivais que eu estou planejando é um “cara das bugigangas” (vários acessórios hi-tech maneiros e tal), então esperem um monte de coisas divertidas.

E é claro que vai ter humor. Ou pelo menos tentativas de humor! Acho que é o leitor que vai decidir se é engraçado mesmo ou não.

BN- Como você também é ator, que tipo de referências de filmes (horror, ficção científica…) vão parar no seu gibi?  Quanto você se vale dos filmes como fonte de inspiração e referência?

Eu aproveito muitas influências de filmes, tanto criativa quanto artisticamente. Eu adoro os pôsteres de velhos filmes de exploitation, ficção científica e horror, como obras de arte que são. Em relação aos cineastas, Kevin Smith, Charlie Kaufman, david Lynch, Guilermo Del Toro, os irmãos Cohen, John Carpenter, Loyd Kaufman, Greg Mottolla e Takashi Miike me influenciam, pra citar alguns.

Na verdade, eu penso na diagramação das páginas mais em termos de filme (tomadas e ângulos de câmera e continuidade) do que como quadros e imagens. Costuma funcionar, pois ambos são meios muito visuais de se contar uma história. A diferença é que eu não preciso me prender a  um orçamento quando estouusando um lápis e papel.

BN – Você é um urso. Isso influencia o seu trabalho em Bludgeon? Isso traz alguma sensibilidade específica para o trabalho? Como é a cena ursina onde você vive, você participa ativamente dela?

Isso tem mesmo influência sobre o meu trabalho…Mas eu não quero que essa influência tome conta do gibi. Sem querer malhar os gibis que vivem no Pais das Maravilhas Urninas, onde todos são ursos grandões, lindos, peludos e gays (I morreria por uma cópia completa dos Bear Detectives de Go Fujimoto,  e eu estou realmente ansioso pela graphic novel Bearton City, de Daniel Mainé, que está pra sair), mas esse não é o meumundo, nem o objetivo do meu gibi. Bludgeon/Mike vai conhecer e se envolver com gays e heteros…E eu quero incluir todo o tipo de pessoa na comunidade gay. E eu quero evitar qualquer história do tipo  “paixonite de grande super urso por chaser malvado”, em que se coloque um aspecto da cultura gay contra outro. Mas haverá “paisagens” bonitas no gibi, e quando o romance chegar, muito provavelmente será com outro urso fofo.

A comunidade ursina aqui em Albuquerque é pequena, mas não tão pequena que eu conheça todo mundo na cidade. Tem alguns caras muito bacanas (e bonitos) na cidade, com certeza, e eu tenho o prazer de chamar vários deles de amigos. Mas eu realmente não tenho participação ativa nas organizações ursinas. Eu fico feliz em aparecer nos eventos quando eu posso, mas eu nunca fui de “Clubes” (ir a reuniões e tal). E também, ser urso é apenas um aspecto de quem eu sou. Como eu disse antes, demorou um pouco pra eu entender a minha porção gay, e a maior parte do resto de quem eu sou (nerd, fã de horror, ator, artista etc.) já estava no lugar. Eu me identifico com a comunidade ursina, mas isso não me define completamente como pessoa.

Meu gibi também vai refletir isso. O universo ursino vai definitivamente fazer parte, mas no fim das contas o gibi não é simplesmente sobre um urso super-poderoso. Eu espero que o gibi seja interessante para todos os tipos de pessoas, mas com certeza eu vou “entregar as guloseimas”, por assim dizer, pros meus fãs ursos também!

BN – Pra finalizar, o espaço é seu – Diga o que tiver vontade!

Não tenho muito a dizer, exceto muito obrigado pela entrevista! Obrigado a todo mundo que ler essa entrevista e se interessar pelo meu gibi ou por algum dos meus outros trabalhos. Você pode encontra qualquer coisa que queira saber sobre im ou sobre o Bludgeon lá no burlypress.com. Muito obrigado ao meu editor e colaborador, Greg Freeland II… O blog dele é gregfreeland.com. E se você ainda não comprou, vá comprar o material do Ed Luce no wuvableoaf.com… É um gibi sensacional cheio de personagens maravilhosos e caras gostosos. E fique de olho no meu site pro meu próximo pinup /ou pro Bludgeon #01, em breve!

Confira agora o preview exclusivo do Número 0 de Bludgeon:

O trabalho de Jeremy Owen, bem como o caminho das pedras para aquisição do gibi, pode ser conferido no site do autor, http://www.burlypress.com/home.html.

 

            

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James Figueiredo

Designer gráfico de dia, editor do Bear Nerd à noite, nerd 24 horas por dia. Urso, barbudo, gordo. Rabugento, impaciente, sonolento.

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