Woof, beards de plantão! Hoje estreia aqui no Bearnerd a coluna “Berd Pré-Cine”, que é onde você poderá ler resenhas de lançamentos do cinema antes de estrearem. E não, não estamos falando de meras resenhas! Estamos falando de críticas sob o ponto de vista do ursino nerdístico. Afinal, é um urso (chubby) nerd que vos fala, euzinho, Osíris Reis.

Aliás, aproveita, beard, e dá uma conferida na série de ficção científica ursina (#bara) que estou publicando aqui no Bearnerd. Golem! Clique aqui e confira!

E agora, vamos falar da estreia! Ruflem os tambores!!!!!

Pois é, fui ver “Amityville: o Despertar“. Minha nerdice apitava que já tinha visto vários títulos com o nome dessa tal vila e a casa com janelas que parecem olhos. Nunca tinha parado para ver nenhum, já que filmes de casas mal-assombradas raramente me conquistam. Mesmo assim, achei a cabine de imprensa (a sessão antes da estreia, para jornalistas) uma boa oportunidade para perder minha virgindade (ui!) de Amityville. Afinal, que nerd seria eu se não assistisse a pelo menos um dos 12 títulos “Amityville alguma coisa”? Há uma explicação para esse lugarzinho de Long Island aparecer tanto no cinema. No começo dos anos 70 um garoto matou a família a sangue frio e disse, na delegacia, que o fez para atender às vozes que ouvia. Anos depois, um casal fugiu da casa alegando que a mesma era mal assombrada. E pronto: a casa e a cidade ficaram famosas.

Segundo o IMDB, o primeiro filme, o segundo e o remake de 2005 (com o malhadão Ryan Reynolds) tiveram boa recepção, leia-se, notas de 5 ou mais. Foram filmes que chegaram a concorrer a prêmios e tal. É interessante notar que esses longas aparecem em “Amityville: o Despertar” na mais descarada das propagandas. A personagem principal é uma adolescente que, inocentemente, foi forçada a mudar para a casa sem saber do histórico da casa. É quando o nerd da escola (que infelizmente não é urso) apresenta os três melhores filmes da franquia. Tudo com direito a capa de DVD e piadinhas sobre remakes não prestarem. E lá vão os adolescentes assistir a um dos filmes, de madrugada, na casa onde tudo teria acontecido.

Esse é um dos fatores pare explicar o sucesso da franquia: a mistura entre fato histórico e ficção. Todos os filmes são baseados, em maior ou menor grau, no livro “The Amityville Horror – a True Story“, de Jay Anson, inspirado na história da casa. Sim, pode haver risos assim que surgem as capas dos DVDs na tela. Ainda assim, está sublinhado o recado: “Este filme é baseado em fatos reais! Muahahahahahaahha!”

Foto: Divulgação

Mesmo com uma receita pra lá de básica, o filme consegue arrancar sustos. Afinal, coisas que surgem desfocadas no fundo. Depois aparecem, de supetão, no primeiro plano. Tudo com direito à marcação na trilha sonora com a clássica nota agudíssima e fortissíssima. Como não se assustar? A fórmula, no entanto, vai perdendo força e quando mais o filme revela, menos ela pode ser usada. A fotografia e os cenários são produzidos com a mesma receita básica e não prejudicam o filme, o que já é um avanço.

Amityville, arroz e feijão

O roteiro tem suas falhas e buracos. Isso sem falar das barrigas, que aqui não são bonitas: são partes desnecessárias à história, que servem só para dar o “clima”). Os personagens não são exatamente consistentes, e apesar de o filme ser centrado nas mulheres, elas caem no clichê de fazerem burradas por amor à família. E o pior: o figurino da protagonista é digno da Playboy, reforçado pela direção por closes de bunda. Em ano de Diana na telona, não precisa ser mulher, nem gay, nem gordo para perceber a mancada que isso é.

Interessantemente, o filme passa fácil no teste de Bechdel, mas ainda assim é bem machista. Prova de que, apesar de não termos ainda um teste melhor, ele nem sempre funciona.

O papel masculino de destaque é o do irmão gêmeo comatoso, que tem o corpo todo atrofiado e retorcido devido, provavelmente, a danos cerebrais. Essa é uma ideia que consegue gerar desconforto e questionamentos em quem assiste, mas que perde força por uma má escolha, no final do filme, que só a comunidade ursina pode perceber. Para quem sabe apreciar silver daddies, há uma pequena participação de Kurtwood Smith, com direito a barba e uma leve barriguinha.

“Amityville: o Despertar” estreia hoje, 14 de setembro, nos cinemas. E ganha, de mim, 2,5 estrelas.

E aí, berd? Você vai ver? Já viu? O que achou da resenha? O que achou do filme? Comenta aí, dá um woof, um grrrrr, bote a boca no trombone! E logo logo voltaremos com mais Berd Pré-Cine, a coluna para você conferir antes de ir às estreias do cinema!

 

 

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Osiris Reis

Osíris Reis zanzou da Medicina à Mecatrônica antes de assumir a tara por Ficção Fantástica. Formado em Audiovisual pela Universidade de Brasília, é autor de “Treze Milênios” (ficção científica vampiresca), dos contos “Madalena” (Paradigmas 1), “Alma” (Imaginários 1), “Queda” e “Companheiros de Armas” (Fantástica Literatura Queer) e da coletânea de contos “Sobre humanas fúrias”, condecorada com o Prêmio Cassiano Nunes do Fundo de Apoio à Cultura do Distrito Federal.

É o baixo do grupo Supertronica, animador 3d, editor de vídeo e do BNCast, empreendedor, compositor, além de, para os íntimos, consultor tecnológico.

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