Ryan Gosling em Blade Runner 2049

Woof, Berds de Plantão. Eis que estreia hoje, 5 de outubro, nas telonas, a continuação de um clássico da cultura Nerd! Sim, Nerd de raiz teve paciência de assistir “Blade Runner: o Caçador de Androides” (1982), do lendário Ridley Scott. O que mudou de lá pra cá? Além da tecnologia dos efeitos especiais, ficamos (bem) mais exigentes com roteiro e desenvolvimento de personagens. E eis surge o suspense: “Blade Runner 2049” é digno de, assim como o primeiro filme, se tornar uma lenda?

Cyber Punk da melhor safra

Cyber Punk é e sempre foi o capitalismo transformando o humano em mercadoria. E o que seria mais coisificador que Harrison Ford caçando replicantes (humanos criados em laboratório com propósitos meramente comerciais)? Um replicante caçando replicantes por propósitos meramente comerciais, é claro. Ou não.

A nova geração de replicantes, da qual o protagonista de Ryan Gosling faz parte, é geneticamente programada para a obediência extrema. E a coisa fica deliciosamente mais complexa quando a esposa dele é um programa de computador na holografia da supercompetente Ana de Armas. E pasmem: esse romance pra lá de artificial é a parte mais humana e bonita da história. Impossível não torcer pelos dois.

Obviamente, o roteiro não restringe a isso. Todos os replicantes têm uma angústia muito própria, que vai além do cumprir ordens por mais que não se goste delas. E dá para ter uma visão muito clara e precisa disso antes de ver o filme. Sem risco de tomar spoilers. É só assistir os curtas que o diretor encomendou para explicar a transição entre o primeiro filme (que se passaria em 2019) e a sequência. Vale muito a pena ver antes de ir, não só para se situar, mas para ver o grandão Dave Bautista mostrar que é bem mais que um corpinho bonito.

Assiste aí, Berd! Vale a pena!

 

 

De luz, escuridão e graves

Blade Runner 2049, definitivamente, é para ver no cinema. O trabalho que fazem com a fotografia é primoroso, com nuances que definitivamente se perdem na telinha. Fora isso, os graves da trilha sonora de Vangelis fazem o cinema inteiro tremer, de um jeito que raramente se vê (ouve) por aí.

Ryan Gosling e Tómas Lemarquis em Blade Runner 2049

Foto: Divulgação

 

Isso tudo sem ser só estética. A dança entre luz e trevas, bem e mal, humanidade e artificialidade permeia toda a existência enquanto você assiste ao filme. Também, o que esperar de Denis Villeneuve, diretor de “A Chegada”? Ele captou bem o uso dos planos longos que Ridley Scott usou no primeiro filme. Assim, as transições de luz e sombra acontecem de forma tão suave e realística que dissolvem as barreiras entre replicantes e humanos.

Claro, além de bom roteiro e direção, você precisa de um elenco de peso. E definitivamente, o elenco todo está muito afinado, com destaque para Jared LetoSylvia Hoeks, que fazem os “malvadões” da história. Harrison Ford também dá as caras, bem mais maduro, e é o mais perto de um urso que você verá na película. E ainda assim, com a câmera fazendo o possível para não mostrar a barriga que ele ganhou com a idade. Não sei que trauma esse pessoal tem com a barriga alheia… tsc, tsc, tsc! 

No fim das contas

“Blade Runner 2049” é lento como o primeiro, mas menos cansativo. Seja pelo roteiro melhor amarrado, por cenas de ação melhores ou pelos efeitos especiais mais atuais, tudo ficou mais fácil de ser acompanhado. É um filme cult, sem dúvida, mas que ganha, de euzinho, fabulosas 4,9 estrelas.

E aí, berd? Você vai ver? Já viu? O que achou da resenha? O que achou do filme? Comenta aí, dá um woof, um grrrrr, bote a boca no trombone! E logo logo voltaremos com mais duas novas resenhas no Berd Pré-Cine, a coluna para você conferir antes de ir às estreias do cinema!

 

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Osiris Reis

Osíris Reis zanzou da Medicina à Mecatrônica antes de assumir a tara por Ficção Fantástica. Formado em Audiovisual pela Universidade de Brasília, é autor de “Treze Milênios” (ficção científica vampiresca), dos contos “Madalena” (Paradigmas 1), “Alma” (Imaginários 1), “Queda” e “Companheiros de Armas” (Fantástica Literatura Queer) e da coletânea de contos “Sobre humanas fúrias”, condecorada com o Prêmio Cassiano Nunes do Fundo de Apoio à Cultura do Distrito Federal.

É o baixo do grupo Supertronica, animador 3d, editor de vídeo e do BNCast, empreendedor, compositor, além de, para os íntimos, consultor tecnológico.

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