Como se tornar o pior aluno da escola

O que esperar de um filme com esse título? Primeiro, não é para menores. Segundo, não é politicamente correto. Terceiro, é de humor. Nenhum desses fatos em si faria de “Como se tornar o pior aluno da escola” um filme ruim. Mas acrescente aí que o filme é baseado num livro de Danilo Gentili, que faz o tal pior aluno. Aí sim a coisa fica duvidosa.

O pior do pior aluno

O protagonista é Pedro, um adolescente cansado de tentar tirar notas boas e cansado das regras chatas da escola. Quando ele encontra o diário de um antigo aluno que, apesar de não estudar, tirava ótimas notas, ele arrasta seu melhor amigo Bernardo na busca pelo autor do mesmo. Era para ser um protesto contra o perfeccionismo, mas acaba sendo uma reação vazia contra o politicamente correto. Convenhamos, o filme derrapa feio ao tentar naturalizar coisas como pedofilia (mesmo que fora da tela), bullying, gordofobia, trapaça, precocidade no uso de drogas e na hipersexualização.

Mesmo para adultos, o filme pisa na bola quando trata trollagem entre amigos como a mesma coisa que bullying e entre pessoas que não têm qualquer intimidade. Pior ainda é quando um pedófilo se faz de vítima da homofobia. Lamentável. O longa é uma cartilha não só para se tornar o pior aluno, mas para se tornar o mais irresponsável possível.

O que ainda funciona

Sim, o filme tem piadas que funcionam (apesar de precisar apelar para o nojo), direção e elenco interessantes. A escolha dos atores adolescentes, e de Carlos Villagrán (o Quico de Chaves) como o diretor autoritário funciona bem. Mesmo assim, se a intenção que Gentili atribuiu ao livro era criticar a massificação escolar, o filme é um grande “Fail”. Cá entre nós: tem coisa bem mais interessante de se ver no cinema. Se for ver esse, espere pelas torrentes na vida.

“Como se Tornar o Pior Aluno da Escola”, ironicamente, estreia nesse Dia da Criança. E minha nota, sendo bondoso, é 2 estrelas.

 

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Osiris Reis

Osíris Reis zanzou da Medicina à Mecatrônica antes de assumir a tara por Ficção Fantástica. Formado em Audiovisual pela Universidade de Brasília, é autor de “Treze Milênios” (ficção científica vampiresca), dos contos “Madalena” (Paradigmas 1), “Alma” (Imaginários 1), “Queda” e “Companheiros de Armas” (Fantástica Literatura Queer) e da coletânea de contos “Sobre humanas fúrias”, condecorada com o Prêmio Cassiano Nunes do Fundo de Apoio à Cultura do Distrito Federal.

É o baixo do grupo Supertronica, animador 3d, editor de vídeo e do BNCast, empreendedor, compositor, além de, para os íntimos, consultor tecnológico.

  • Luis Felipe Papillon

    Sinto muito por quem teve que assistir a esse filme!

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