Taron Egerton em "Kingsman: o Círculo Dourado"

Woof, Berds de plantão! Pois é: assisti Kingsman 2, oficialmente conhecido como “Kingsman: O Círculo Dourado“, e vou explicar aqui, timtim por timtim o que o filme tem de interessante para ursos nerds. Em primeiro lugar, vou logo avisando: esta crítica é spoiler free para quem assistiu ao primeiro filme, mas não tem como falar deste sem dar spoilers de “Kingsman: Serviço Secreto“. Claro que é possível você se divertir assistindo ao segundo filme sem ter visto o primeiro. No entanto, você vai se divertir bem mais se tiver visto. Então, a não ser que seja totalmente inviável, assista ao primeiro Kingsman antes de ir ao cinema. Sua nerdice agradece. Obrigado! Obrigado!

No primeiro filme, a Kingsman, uma agência britânica de inteligência, treina Eggsy, um “aborrescente” do “povão”, para salvar o mundo. Na continuação, que estreia hoje, 28 de setembro, a Kingsman rui logo de cara. Assim, para salvar o mundo, Eggsy “Galahad” e Merlin seguem a pista de uma agência irmã nos EUA. Os elementos mais marcantes do primeiro filme (o humor politicamente incorreto, a ação vertiginosamente “wow”) continuam. No entanto, o humor acaba falando bem mais alto nesse segundo filme. O que em si é uma proposta tão corajosa quanto perigosa.

O humor nosso de cada Kingsman

“Kingsman: Serviço Secreto” tinha duas linhas narrativas. Por um lado mostrava o treinamento de Eggsy, pontuado por exercícios extremos e bullying. Ou seja, poucas risadas a extrair daqui. Por outro, o longa retratava o apocalipse planejado pelo vilão, aí sim com um humor negro e irreverente. O trabalho na Kingsman era algo tão absurdamente arriscado e cercado de questões tão moralmente desafiadoras que a única saída era rir. Comédia de primeira sem apelar para escatologia ou erotismo.

Já em “Kingsman: o Círculo Dourado”, Eggsy se acostumou a salvar o mundo. O que significa espaço para humor negro do começo ao fim. Já nos primeiros minutos, um combate cômico escancara a veia que o longa vai explorar. O que provavelmente não se sustentaria sem novos elementos e bons respiros. Mesmo assim, permanece o desafio: fazer humor que não explore clichês e preconceitos.

Kingsman também é malabarismo

Na maior parte dos 140 minutos do longa, a dupla Jane Goldman e Matthew Vaughn (ambos assinando o roteiro, e ele a direção) mantém o nível. Contudo, uma das “piadas” explora um clichê bem machista, com direito a close na calcinha. Assim como o primeiro filme, este não é aprovado pelo teste de Bechdel. Mesmo assim, se os roteiristas souberem aproveitar os elementos deste última longa, conseguirão, no próximo, resolver esse problema. O que, definitivamente, deixaria o filme mais interessante.

Os mais sensíveis podem se ressentir de dois momentos do filme, que exploram humor baseado em nojo psicológico e visual. Pra compensar, o conflito principal do filme abre portas para boas risadas e ótimas críticas sociais. O problema abordado pelo filme é bem relevante, além de ser tratado sem falso moralismo. O que rende alfinetadas, mesmo que implícitas, para Trump.

Além do conflito principal, o filme explora bem a diferença entre os clichês britânico e estadunidense. Tudo com boas risadas e bastante criatividade.

Pedro Pascal em "Kingsman: o Círculo Dourado"

Foto: Divulgação

Não há ursos na Kingsman…

… mas o casting é bem interessante. Taron EgertonColin Firth e Mark Strong retornam a seus papéis, com interpretações competentes. Julianne Moore salva a vilã, que infelizmente não foi tão bem escrita quanto o antagonista de “Serviço Secreto”. Channing Tatum e Jeff Bridges, além de estarem bem divertidos, são um colírio para quem aprecia a beleza masculina. Afinal, Bridges é um daddy e tanto, e Tatum, apesar de ser estilo barbie, parece ter ganhado uns 2 quilos. Ele quase parece ter barriga quando dança e o close no pacote do moço que, com enchimento ou sem, é de encher os olhos. Halle Berry não atua muito mais que na franquia X-men, o que é uma pena. Tomara que a personagem dela seja melhor desenvolvida no terceiro filme. #ficaadica

Pedro Pascal,  o Oberyn de Game of Thrones, está bem, obrigado, principalmente nas proezas físicas. No entanto, o presente para nós, bears, é Sir Elton John. OK, os machinhos vão dizer que ele não nos representa, mas come on! Mesmo idoso, gordinho e purpurinado, ele chuta bons rabos, salva o dia e rende ambiguidades que não caem na homofobia.

Apesar dos pesares, “Kingsman: o Círculo Dourado” é pelo menos tão divertido quanto seu antecessor. E ganha de euzinho 4,2 estrelas.

E aí, berd? Você vai ver? Já viu? O que achou da resenha? O que achou do filme? Comenta aí, dá um woof, um grrrrr, bote a boca no trombone! E logo logo voltaremos com mais duas novas resenhas no Berd Pré-Cine, a coluna para você conferir antes de ir às estreias do cinema!

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Osiris Reis

Osíris Reis zanzou da Medicina à Mecatrônica antes de assumir a tara por Ficção Fantástica. Formado em Audiovisual pela Universidade de Brasília, é autor de “Treze Milênios” (ficção científica vampiresca), dos contos “Madalena” (Paradigmas 1), “Alma” (Imaginários 1), “Queda” e “Companheiros de Armas” (Fantástica Literatura Queer) e da coletânea de contos “Sobre humanas fúrias”, condecorada com o Prêmio Cassiano Nunes do Fundo de Apoio à Cultura do Distrito Federal.

É o baixo do grupo Supertronica, animador 3d, editor de vídeo e do BNCast, empreendedor, compositor, além de, para os íntimos, consultor tecnológico.

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