Sangue e luz em Mãe!

Em primeiro lugar, é um filme de mistério, mas não é de terror. É drama, mas é também é muito mais que isso. Tem os oscarizados Jennifer LawrenceJavier Bardem (que é magrinho, mas é um coroa pegável e faz bundalelê no filme), além dos gigantes Ed Harris (também magrinho, mas bem mais silver daddyMichelle Pfeiffer. O diretor e roteirista é “apenas” Darren Aronofsky, o mesmo de “Réquiem para um sonho“, “Fonte da Vida” e “Cisne Negro“. Misture tudo isso e você terá essa preciosidade com o singelo título “Mãe!“, que estreia amanhã, dia 21 de setembro.

A história é focada num casal casal sem filhos, que mora numa casa isolada para que o marido, poeta, reencontre a inspiração para escrever. Ela, bem mais nova, se ocupa de reformar a casa dele, incendiada anos atrás. Porém tudo muda quando visitantes inesperados começam a chegar. E é isso que revela que nada é o que parece.

O filme já estreou nos EUA, onde tem dividido opiniões. Mas não é exatamente isso que a boa arte faz?

A Mãe de todas as técnicas

“Mãe!” é um filme praticamente irretocável, a começar pelos efeitos sonoros, que justificam assistir o filme em som 7.1. A trilha sonora, numa aposta para lá de ousada, só tem música nos créditos. Sim, isso vai fazer muita gente achar o filme arrastado. Mas não se iluda, pequeno grande padawurso! A ação pode engrenar devagar, mas quando engrena, é uma verdadeira avalanche. E por favor, chegue cedo no cinema! E não ouse piscar. Detalhes são tudo em “Mãe!”, principalmente os dos primeiros segundos. Seguindo esses pequenos conselhos do titio, adivinhar o final do filme não vai ter tão difícil. Mas duvideodó que você suspeite de que jeito esse final é construído.

Jennifer Lawrence e Havier Barden em Mãe!

Foto: Divulgação

Roteiro e direção estão muito interessantes, mas o roteiro a gente deixa para falar em seguida. A direção, que é a escolha dos planos e a orientação para a interpretação dos atores, está primorosa. Tem planos sequência na medida certa, com vários supercloses na maior parte do filme, que valorizam as interpretações. Falando delas, Jeniffer Lawrence tem um prato cheio no papel, e o aproveita bem. O mesmo pode ser dito do restante do elenco em maior ou menor grau. Porém, o filme tem gente com uns olhares tão venenosos que certamente entrarão para os anais (que mente suja, hein, bear?!) do cinema. A fotografia é intencionalmente muito granulada, detalhe que só quem sentar perto da tela vai apreciar. E isso também é uma pista.

A Mãe de todas as narrativas

Poucas histórias têm tantos significados simultâneos e tão viscerais quanto “Mãe!”. Apesar do diretor já ter dado entrevistas que entregam a interpretação que ele escolheu, ainda dá para encontrar vários e vários significados da história. Quer que seja sobre amor? Consider it done, Sir! Sobre maternidade? Sobre Deus, sobre o Diabo, sobre relações humanas, sobre machismo, sobre o poder curativo e destrutivo do amor? Quer que “Mãe!” seja sobre ecologia? Ou sobre o processo criativo? Tá valendo, berd! E é essa a beleza do filme. Ele é grande, gostoso e misterioso como o Shrek. Ou uma cebola, com suas múltiplas camadas.

Quem for ao cinema pensando que vai assistir a uma história literal vai quebrar a cara. Muita gente vai detestar e sair antes do final. Mas não você, querido padawurso! Assista com a cabeça aberta,  até o final, umas três ou quatro vezes. Dá para assistir e discutir por anos, e ainda continuar a se surpreender. E depois de assistir você ainda pode voltar aqui no #bearnerd e capturar os easter eggs que plantei.

“Mãe!” estreia amanhã, 21 de setembro, nos cinemas. E euzinho dou nada menos do que 5 estrelas! (sim, você leu certo!)

E aí, berd? Você vai ver? Já viu? O que achou da resenha? O que achou do filme? Comenta aí, dá um woof, um grrrrr, bote a boca no trombone! E logo logo voltaremos com mais duas novas resenhas no Berd Pré-Cine, a coluna para você conferir antes de ir às estreias do cinema!

About author View all posts Author website

Osiris Reis

Osíris Reis zanzou da Medicina à Mecatrônica antes de assumir a tara por Ficção Fantástica. Formado em Audiovisual pela Universidade de Brasília, é autor de “Treze Milênios” (ficção científica vampiresca), dos contos “Madalena” (Paradigmas 1), “Alma” (Imaginários 1), “Queda” e “Companheiros de Armas” (Fantástica Literatura Queer) e da coletânea de contos “Sobre humanas fúrias”, condecorada com o Prêmio Cassiano Nunes do Fundo de Apoio à Cultura do Distrito Federal.

É o baixo do grupo Supertronica, animador 3d, editor de vídeo e do BNCast, empreendedor, compositor, além de, para os íntimos, consultor tecnológico.

%d blogueiros gostam disto: