A morte te dá parabéns

Confesso: fui ao cinema bem desconfiado. Afinal, só em 2017, esse é o segundo filme sobre loops no tempo. Ok, ok, dessa vez quem vive o dia do loop é o aniversário e a vítima (no duplo sentido) é a patricinha da faculdade, que sempre é assassinada pelo cara de máscaras. Mas sabe da melhor? “A Morte te Dá Parabéns!” até que é divertido.

Pânico” + “Feitiço do Tempo“=???

“A Morte te dá Parabéns!” acaba por ser um bom “terrir”, com guinadas interessantes. É bem padrão hollywood: boas tomadas, bons cortes, boa fotografia, boa direção de arte, bom elenco. Não, o filme não tem um urso sequer, embora tenha seu pequeno protesto contra a indústria da magreza. Afinal, o foco aqui é a crítica à superficialidade da juventude norte-americana. Tudo sob o ponto de vista feminino, o que, para um filme escrito e dirigido por homens, funciona bem.

O diretor Christopher Landon consegue transcender os closes em bundas e tetas. Ele até filma a protagonista nua sem objetificá-la: ponto pro moço! As personagens femininas são bem escritas e desenvolvidas, graças ao trabalho do roteirista Scott Lobdell, que ajudou a escrever alguns episódios de “X-Men“, a série dos anos 90. Os personagens masculinos também estão bem construídos, obrigado, com tiradas interessantes sobre a canastrice dos garanhões. 

Entre sustos e risadas

O timing do filme funciona bem. Ok que todos os sustos são pontuados por notas fortes da trilha sonora, o que não é exatamente sinal de habilidade do diretor. As piadas funcionam sem ser apelativas ou absurdas demais, o que definitivamente é um ponto bacana. E o mais importante: se misturam bem ao suspense do longa.

A protagonista é inteligente e tem boa iniciativa, seja no jeito de lidar com o perigo, com as colegas, com as cantadas ou os esteriótipos. Jessica Rothe se sai bem na interpretação da personagem, convencendo bem na versatilidade entre drama, suspense e comédia. A química entre ela e seu crush funciona bem. No final, é quase impossível não torcer por ela e o rapaz que, apesar de zero gordurinha, é um fofo.

“A Morte te dá Parabéns!” não vai ganhar nenhum Oscar, mas definitivamente vale a pena.  O filme estreia no Brasil hoje, dia 12 de outubro, e ganha de mim 3,5 estrelas.

 

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Osiris Reis

Osíris Reis zanzou da Medicina à Mecatrônica antes de assumir a tara por Ficção Fantástica. Formado em Audiovisual pela Universidade de Brasília, é autor de “Treze Milênios” (ficção científica vampiresca), dos contos “Madalena” (Paradigmas 1), “Alma” (Imaginários 1), “Queda” e “Companheiros de Armas” (Fantástica Literatura Queer) e da coletânea de contos “Sobre humanas fúrias”, condecorada com o Prêmio Cassiano Nunes do Fundo de Apoio à Cultura do Distrito Federal.

É o baixo do grupo Supertronica, animador 3d, editor de vídeo e do BNCast, empreendedor, compositor, além de, para os íntimos, consultor tecnológico.

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