Dylan O'Brien em "O Assassino: o Primeiro Alvo"

Woof, berds de plantão! Fui assistir, na última sexta, a “O Assassino: o Primeiro Alvo”. Sempre gostei dos trabalhos de Mr.  Dylan O’Brien, tanto em “Teen Wolf” quanto em “Maze Runner“. O trailer me conquistou e, francamente, não me decepcionei.

Dylan é um ator muito carismático, com grande variedade e, principalmente, controle de suas expressões. Seu personagem, no filme, é Mitch Rapp, um rapaz que presenciou terroristas metralharem a namorada num atentado em Ibiza. Daí o moço é puro sangue no olho, e passa um bom tempo se preparando para aniquilar os extremistas muçulmanos que assumiram a autoria do atentado. Feliz ou infelizmente, a CIA o captura antes de cumprir seus planos, e o treina para ser um assassino a serviço de terroristas no mundo inteiro.

O filme é baseado nos livros de Vince Flynn, que foi consultor do seriado 24 horas.

A dureza (ui!) do Assassino

Tem todo aquele jogo dos filmes de espiões, de inteligência e contra-inteligência? Sim, mas esse não é o foco. Você não vai ver Mitch Rapp arriscando tudo por um pendrive. Tocaia aqui é pra encurralar e matar o alvo, de quem sempre se tem a ficha com todos os podres. Informação se coleta se estiver fácil e for ajudar a encurralar melhor o alvo. O negócio do protagonista é matar, matar, matar, matar. E é isso que dá o tom do filme.

Michael Cuesta, o diretor, escolhe as posições e movimentos de câmera seguindo, na medida certa, a cartilha hollywoodiana. Quando se afasta dela, o faz com sobriedade e resultados bem interessantes. E tudo isso sem câmera lenta, nem tempestades de golpes que deixariam o público confuso. As cenas de ação são cruas e pesadas. A dinâmica delas é bem criativa, com a pancada podendo chegar de qualquer lado. As surpresas nessa dinâmica são mais raramente usadas no cinema, com direito a levar uma surra do teto. E fica sempre claro que os combatentes, apesar de muito talentosos, são apenas humanos. Tem até pitadas de gore e manchas de sangue na câmera. Tudo na medida certa, para cansar o público. O foco não é a agonia dos ferimentos, mas a raiva muito palpável que Dylan imprime no protagonista.

Dylan O'Brien em "O Assassino: o Primeiro Alvo"

Foto: Divulgação

As certezas do Assassino

A raiva, com certeza, é o ponto mais marcante em Mitch Rapp, que não é nenhum Jason Bourne tentando descobrir quem é. O personagem de Dylan O’Brien sabe muito bem a que veio e pode até descumprir ordens para garantir que ninguém mais sofra como ele. E quanto mais ele aprende, mais interessante e cativante ele se torna.

O roteiro, apesar de estar longe de ser perfeito, ajuda bastante nesse quesito. A construção do protagonista é bem caprichada, tanto nas atitudes quanto nos diálogos. Infelizmente, não deram a mesma atenção para o vilão de Taylor Kitsch, que só se sustenta devido ao talento do ator. Michael Keaton, que faz o professor do protagonista, teve o personagem um pouco mais convincente, apesar de uma cena mais exagerada.  

Um ponto positivo é que não há excesso de patriotismo. Compatriotas do terroristas também são vítimas deles, e têm direito a ações heroicas. Afinal, terrorismo é coisa de fanáticos, não de nações. A fúria do protagonista é muito mais contra quem massacra inocentes do que contra os inimigos de seu país. Outro ponto é que o filme, apesar de não ser aprovado no teste de Bechdel, tem mulheres em imbuídas de autoridade, poder e coragem. OK que o clichê do descontrole emocional na hora H ainda existe, mas nada que estrague o filme. De qualquer forma, seria bom, nas sequências, ter mais de uma mulher importante conversando com outra mulher importantes sobre algo que não seja homem. #Ficaadica!

O Assassino e o fator ursino

Infelizmente, não há muita coisa ursinamente interessante no filme. O protagonista, apesar de peludo, é magrinho e aparece com barbas bacanas volta e meia. Dá para ficar imaginando se aquele peito vai ganhar mais pelos no futuro. O vilão é uma barbie. Michael Keaton, como cara mais velho, tem sim um corpo mais interessante, mas não chega a ser urso.

Os únicos ursos que aparecem são coadjuvantes. É o chefe da chefe, que mal dá para perceber como é o corpo dele. É um ou outro oficial de inteligência. É um certo urso vigiado que, em determinado momento, começa um strip tease que não passa de tirar a camisa com a regata por baixo. Felizmente para nós e infelizmente para o personagem, ele depois é pego com as calças curtas, o que rende alguns segundos ursinamente interessantes.

“O Assassino: o Primeiro Alvo” estreia hoje nos cinemas brasileiros. E euzinho dou 3,9 estrelas para o filme.

E aí, berd? Você vai ver? Já viu? O que achou da resenha? O que achou do filme? Comenta aí, dá um woof, um grrrrr, bote a boca no trombone! E logo logo voltaremos com mais duas novas resenhas no Berd Pré-Cine, a coluna para você conferir antes de ir às estreias do cinema!

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Osiris Reis

Osíris Reis zanzou da Medicina à Mecatrônica antes de assumir a tara por Ficção Fantástica. Formado em Audiovisual pela Universidade de Brasília, é autor de “Treze Milênios” (ficção científica vampiresca), dos contos “Madalena” (Paradigmas 1), “Alma” (Imaginários 1), “Queda” e “Companheiros de Armas” (Fantástica Literatura Queer) e da coletânea de contos “Sobre humanas fúrias”, condecorada com o Prêmio Cassiano Nunes do Fundo de Apoio à Cultura do Distrito Federal.

É o baixo do grupo Supertronica, animador 3d, editor de vídeo e do BNCast, empreendedor, compositor, além de, para os íntimos, consultor tecnológico.

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