E hoje, 23 de novembro, chega aos cinemas brasucas “A Vilã“, filme coreano que começa com uma garota invadindo um cartel e, sozinha, matando todos os marmanjos da central. E como nós do Bearnerd amamos o “girlpower”, fomos conferir a novidade pra lhe ajudar a decidir sobre assistir o filme ou não.

Não tão vilã

O roteiro tem seus pontos altos, mas mas também tem vários defeitos. Os orientais considerariam Furiosa e a Noiva de Kill Bill como vilãs? Sabe-se lá. No entanto, para nós, a simples contagem de mortes não faz a perversidade de uma mulher. Na verdade, a protagonista é apenas levada ao limite pela educação machista em que foi criada. Essa “Maria do Bairro” guerreira deixa isso bem claro pela maneira como é manipulada e pelas prioridades em sua vida. Ou seja: o filme cai no clichê de que mulheres só são movidas pelo amor à família.

Mesmo assim, as várias semelhanças com Kill Bill e Atômica, agradam. Não dá pra saber se as cenas foram ou não inspiradas nesses filmes, mas elas definitivamente vão além, com muito mais crueza e imersividade que os norte-americanos.

Uma vilã chamada câmera nervosa

As cenas de ação podem render, facilmente, o título de melhor diretor de ação a Byung-gil Jung. E não, isso não é exagero. A primeira cena usa e abusa da tal “câmera nervosa“, ou seja, sem a estabilidade tradicional. Só que, em lugar da miríade de cortes que consagrou essa técnica como a grande vilã das cenas de luta, o diretor usa o plano sequência, ou seja, nenhum corte aparente por vários minutos. E haja ensaio e coreografia!

Claro, “Atômica” nos entregou exatamente isso alguns meses antes. No entanto, “A Vilã” faz isso com câmera subjetiva, ou seja, imitando o ponto de vista da personagem. Sim, com direito a pequenas oscilações e efeitos sonoros imitando a respiração da personagem. Some aí mudanças na distorção de lentes da câmera durante o plano sequência e, como cereja do bolo, a transição perfeita entre a câmera subjetiva e a objetiva. Pronto: o que começa como empolgação logo se torna algo sufocante, na medida em que você percebe o cansaço da protagonista e o quanto isso a aproxima mais e mais da morte.

É bom ficar atento a esse diretor. Se importarem o moço para Hollywood (#ficaadica), poderemos ter um verdadeiro salto de qualidade no cinema de ação. E euzinho dou para “A Vilã”, apesar da misoginia, 4 estrelas.