WOOF, Berds!

A Catarse na Sua Vida dessa semana é especial – Trazemos pra vocês uma campanha do Kickstarter, do gibi LGBT THE PRIDE, do autor britânico Joe Glass.

Joe Glass, criador e roteirista de The Pride

Esta é a quarta campanha do Joe – Desta vez, o objetivo é a publicação do trade paperback (edição encadernada em capa cartão) da série The Pride, que ele escreve e que conta com a participação de diversos artistas pra lá de talentosos! O encadernado inclui os 4 números do primeiro volume de The Pride mais as 4 primeiras edições de The Pride Adventures, além de extras.

A gente sabe que o dólar tá uma loucura, mas esse gibi não dá pra deixar passar – Tem inclusive níveis de apoio pra edição digital do gibi em PDF, então tá bem fácil de apoiar!

A gente inclusive catou o Joe pra uma entrevista, onde ele apresenta seu trabalho e conversa um pouquinho com a gente sobre quadrinhos LGBTQ+, financiamento coletivo e a reação anti-inclusividade nos quadrinhos.

Então corre lá pra apoiar, lê a entrevista com ele (que é uma graça, aliás), e segue o Joe nas redes sociais!

Olá, Joe. Obrigado por conversar com a gente! Pra começar, conte-nos um pouco sobre você e o seu trabalho. Como você se tornou um escritor de quadrinhos? Que trabalhos ou autores te influenciaram?

Olá! Então, eu me tornei um escritor de quadrinhos simplesmente…escrevendo quadrinhos. Foi simples assim! Eu sempre acho que as pessoas acreditam que você tem que fazer algum curso, ou ter um diploma mas realmente não é nada disso. Sim, eu fiz alguns cursos sobre Literatura Inglesa e Escrita Criativa, redação para roteiros, mas eu decidi aplicar esses conhecimentos na atividade de fazer quadrinhos. Eu li alguns roteiros de roteiristas de renome e comecei a escrever os meus próprios roteiros. E o resto, como se diz, é história.

Em relação às influências, tem algumas óbvias e outras que as pessoas jamais notariam nos meus textos. Quando eu era mais jovem, me inspirava muito em Neil Gaiman, Alan Moore e Grant Morrison, além do estilo meio “novelão” de escritores como Scott Lobdell. Mas eu também sou inspirado a melhorar o meu trabalho por autores como Warren Ellis, Kieron Gillen, Magdalene Visaggio e Scott Snyder.

Que quadrinhos você está lendo no momento? Gostaria de fazer algumas recomendações?

Eu estou lendo muita coisa mainstream, e recomendo muito o gibi da Liga da Justiça atual. Também vários dos títulos-X, escritos por Tom Taylor, Matt Rosemberg e Kelly Thompson. Eu tenho certeza que o Homem de Gelo do Sina Grace vai ser leitura obrigatória, assim como foi a última vez que ele trabalhou com o personagem. Batman continua sendo genial. Quanto a títulos mais alternativos, The Wicked + The Divine é um gibi que todo mundo deveria ler, The New World só teve um número publicado até agora mas foi FENOMENAL e, também, dêem uma olhada em Relay pra ler uma ficção científica que é simplesmente brilhante. E, em relação a títulos independentes, leia qualquer coisa feita por Mike Garley ou Hamish Steele, ou um maravilhoso livro sobre uma casa de chá em Cardiff chamado NPC Tea, escrito por Sarah Millman.

O que é The Pride? O que fez você querer escrever especificamente um gibi focado em temas LGBT?

Então, The Pride é um gibi sobre um grupo de super-heróis totalmente LGBTQ+. Tipo Vingaydores ou Liga da Jusbicha. MAs é claro que é mais do que isso. O objetivo é contar histórias onde eu e a minha comunidade nos sentíssemos mais visíveis, mas também fosse divertido e dramático da mesma maneira que as histórias clássicas dos X-Men eram. Num determinado momento, você vai rir de uma piada interna da comunidade LGBTQ+, no seguinte você vai vibrar com uma cena de ação poderosa e em seguida vai chorar por causa de algum momento profundamente emocional.

Tudo isso se originou do sentimento que eu tinha quando adolescente, de não me ver explicitamente nos gibis que eu lia, enquanto lidava com a minha própria identidade sexual. É claro que sempre houve subtextos, e analogias e metáforas, mas nada era aberto ou textual. E se vocÊ não aborda esse assunto de forma aberta e honesta, você meio que está dizendo que essas pessoas não deveriam existir aberta e honestamente, e isso é cruel. Mesmo que essa não seja a intenção.

 

Arte de Kris Anka

Como é o processo de colaboração com os seus artistas? O quanto você deixa a cargo do artista e o quanto você determina previamente? Você prefere os roteiros no “estilo DC” ou os argumentos no “estilo Marvel”?

Eu acho que…algo entre os dois? Eu posso ser muito detalhista em algumas partes do meu roteiro e deixar outras bem mais abertas à interpretação. O que eu sempre digo pros artistas que trabalham comigo é pra pensarem em mim como o roteirista do filme e neles como os diretores. Se eles acham que uma coisa funciona visualmente melhor do que no script, então mandem ver. Se for alguma grande diferença, naturalmente eu quero estar envolvido no processo para ajustar o roteiro, talvez fazer algumas mudanças. Mas, fora isso, eu quero que o artista se sinta tão parte do processo quanto qualquer outra pessoa.

Você já trabalhou com uma grande variedade de artistas. Existe algum extilo que você goste mais, ou que você ache mais adequado ao seu estilo de roteiro?

Hmmm, eu não sei. Acho que depende da história. Naturalmente, um estilo de arte brilhante, limpo como do Maxime Garbarini ou do Hector Barros pode não funcionar muito bem numa história de horror, ao passo que o estilo mais dark e ousado do Gavin Mitchell poderia. Mas é claro que há artistas ótimos em adaptar o próprio estilo ao tom da história. No caso de The Pride, que é uma série de super-heróis positiva e divertida, eu prefiro estilos de arte mais limpos e coloridos. Estilos que tenham a vibe mais mainstream da Marvel ou da DC, mas sem ser muito rigoroso. Eu gosto que os artistas ponham seu próprio estilo no gibi, entende?

O que você imagina para o futuro de The Pride? O que vem por aí pro título e pros personagens? Ah, e a gente pode ter um spin-off do Bear?

Nós vamos seguir em frente. Está pra sair uma nova edição de The Pride Adventures, então mais histórias curtas e fechadas. Também há planos pra um segundo volume the The Pride. Não posso dizer muito mais do que isso por que eu espero encontrar maneiras de levar o título a ainda mais pessoas, e preciso de ajuda pra isso. Mas posso dizer que tenho muitos planos pra esses personagens e que eles vão estar por aqui por um bom tempo. Pode ser lentamente, mas mais material será publicado. E sim, talvez algumas edições especiais no futuro, centradas em personagens individuais.

Arte de Jamal Campbell

Essa é sua quarta campanha no Kickstarter. Como um autor independente, o que você aprendeu, sobre financiamento coletivo como alternativa de,publicação, que gostaria de dividir com os leitores que estejam pensando em ir por esse caminho também?

É difícil dizer, por que eu mesmo sou um amador nessa área. Eu mal consegui chegar perto dos valores de algumas campanhas maiores, então eu certamente estou precisando de algumas habilidades aqui. Mas eu consigo arrecadar sempre o suficiente pra atrair as pessoas e eu acho que devo isso a manter as coisas num nível pessoal. Fazer com que alguém que esbarre na campanha sinta que está falando diretamente comigo, me conhecendo melhor e sabendo por que eu quero fazer tal projeto etc. Não seja impreciso ou frio, se jogue na campanha.

Eu também diria que, se você está administrando uma campanha de financiamento coletivo, PENSE EM TUDO. Postagem, embalagem, arte comissionada, custos de impressão, divulgação e propaganda, cada coisa que você puder pensar, e tenha certeza que esses custos estão sendo cobertos pela sua campanha.

Estamos vivendo num momento muito polarizado na História, e tem havido muita revolta contra a inclusividade e o progresso em geral, e nos quadrinhos especificamente. Como um autor, o que você pensa a respeito?

Bom, é uma idiotice. Todo esse pessoal fazendo vídeos ou produzindo gibis contra a noção de diversidade e inclusividade nos quadrinhos tem um objetivo por trás disso, não se engane. Eles podem usar um discurso parecido com da inclusividade mas muitos deles estão enraivecidos e insultando as pessoas num nível pessoal. Além de tentar ganhar dinheiro vendendo seu próprio material a preços extremamente elevados. Eles criam um frenesi e alegam ter motivos altruístas quando, na verdade, a única razão é capitalizar nessa raiva fabricada e poder ser babacas com as pessoas sem sofrer consequências. Bem, esse não é o mundo onde vivemos, e há consequências para o assédio e o ódio, fico feliz em dizer.

Muitos estão insatisfeitos com os quadrinhos mainstream e, infelizmente, muitas vozes na internet, e até na própria indústira de HQs, tem ligado essa insatisfação à inclusão de personagens mais diversos. Ou à presença de mais mulheres nas equipes de criação, ou à maior visibilidade das pessoas LGBTQ+, mas há muito mais a respeito disso. Mas as pessoas também gostam das coisas simples, então esse pessoal achu uma maneira de matar dois coelhos com uma só cajadada: Atingir os outros e vender seu próprio material, e essa é a verdade por trás dessa tentativa d epolarização da fanbase. É triste e doentio, mas coisas tristes e doentias nunca duram pra sempre.

Pra terminar, o palco é seu! Pode dar o seu recado pro público!

Ah, claro! Dêem um pulo na página da campanha pra publicação do primeiro volume encadernado de The Pride, online no Kickstarter! Tem cerca de duas semanas de campanha ainda, e nós queremos levar The Pride ao maior número possível de pessoas, numa edição encadernada em capa cartão a um preço bem acessível. A edição terá 280 páginas encadernando dez gibis cheios de super-heróis LGBTQ+, além de extras com making of e designs dos personagens por alguns dos melhores artistas dos quadrinhos por cerca de 19 dólares! E isso é só o começo – Fiquem ligados na página de The Pride no Facebook, ou me sigam no Twitter ou no Instagram pra ficarem informados sobre os próximos projetos com The Pride!

Arte de Hamish Steele

Dá pra ver que o material dele é muito bom, mesmo! Gastem um tempinho dando uma olhada na página da campanha, escolham o nível de recompensa que vocês preferirem, e vamos botar mais um quadrinho LGBTQ na roda!

E é isso por hoje, Berds!
Até a próxima CATARSE NA SUA VIDA!