Capítulo 31 – Miguel

Autor: Osíris Reis
Arte: Osíris Reis e Marco ByM

Nota do autor: O termo “Cum” (Gozo, gozar, usado tanto para sêmen quanto para orgasmo), aos ouvidos de quem não conhece tal gíria, geralmente é entendido como “Come” (vir, chegar).

Abeô tinha acabado de apagar a luz e deitar-se quando ouviu as batidas na porta. Mal se ergueu, Aidan abriu a porta e acendeu as luzes. Ainda usava a roupa completa de trabalho, incluindo as luvas e a máscara. Vê-lo daquele jeito fez o africano se sentir ainda mais culpado. Trabalhar até amanhecer nunca era fácil.

A presença do ruivo, entretanto, parecia não ter nada a ver com isso. Ele tinha um bonito embrulho na mão, que estendeu para o negro e perguntou algo sobre prometer que se “ele” não concordasse em usarem o presente, não fariam nada. Confuso, Abeô articulou apenas um “O quê?”, ao que Aidan insistiu:

— <<Apenas prometa.>>

Abeô concordou e o ruivo entregou-lhe o pacote, saindo sem fechar a porta. O africano ergueu-se e caminhou para fechá-la quando deu de cara com o grisalho.

O coração acelerou de repente, com mil pensamentos disparando na cabeça. Aidan tinha levado o grisalho até lá? Era dele que estivera falando, então? O que o outro iria achar de sua bermuda verde surrada? Onde deveria colocar as mãos? Seria mal educado demais ficar correndo os olhos pelo corpo do outro?

— <<Olá, grandão.>> – cumprimentou o grisalho num inglês bem decente.

— <<Olá.>> – respondeu Abeô, frustrado por não saber o que mais dizer.

— <<Seu amigo parece se preocupar bastante com você. Até perguntou se sou comprometido.>> – emendou o estranho, com um sorrisinho.

A diferença de altura sempre era uma constante para o africano, mas com o grisalho era ainda mais marcante. Era obviamente mais alto que crianças, e, provavelmente, não seria considerado tão baixo para a média masculina. Entretanto, aos olhos de Abeô, ele quase parecia um boneco, um homem em miniatura para pegar no colo e abraçar apertado.

— <<Eu me chamo Miguel. É um grande prazer conhecer você.>> – apresentou-se o grisalho, estendendo a mão.

O gigante não conseguiu conter o sorriso. Miguel. Era um homem absolutamente charmoso, barba bem penteada, calça social e sapatos retrô. Os belos pelos brancos no peito, infelizmente, não estavam mais tão à vista. Agora, apenas alguns tufos saíam da regata branca e apertada.

— <<E então?>> – indagou o brasileiro, ainda com a mão estendida – <<Qual o seu nome?>>

— <<Abeô!>> – respondeu enfim, apertando a mão macia de Miguel, quase tão macia quanto a de Aidan, mas nem de longe tão quente. Um pensamento nada apropriado para o momento, a ponto de o africano quase se esquecer de emendar – <<Meu nome é Abeô Bankole.>>

Miguel fazia o polegar passear devagar na mão que o africano lhe estendera, algo sapeca surgindo nos olhos enquanto a língua, discretamente, reproduzia, nos lábios, o movimento do polegar na pele negra.

— <<Então, Abeô? Podemos nos sentar?>>

Um pouco trêmulo, o gogobear deixou-se puxar para o colchão em que costumava dormir. Contudo, Miguel não fez o que propôs. Deitou-se de costas para o colchão e puxou o negro para cima de si, para seus lábios.

Aquele beijo foi totalmente diferente do que Abeô esperava. Nem de longe parecido com o beijo que Rodrigo lhe aplicara noites atrás. Naqueles lábios ele se sentiu aquecido, abraçado, cada músculo do corpo derretendo como se, de repente, tivessem se transformado em mel. Aquele beijo o africano não queria que acabasse. A língua que roçava a sua tinha uma textura que provocava uma fricção tão leve que se transformava em arrepios de prazer atrás da nuca e dali se espalhavam por toda coluna. E a barba! Ah, a barba! Quando o brasileiro concentrou os beijos no pescoço, no peito, nos mamilos, além da massagem dos lábios e da língua havia a barba, que lhe acariciava a pele por onde passava. Foi com surpresa que sentiu os beijos descerem para a barriga e serem substituídos por levíssimas dentadas que provocavam um misto de cócegas e arrepios, gemidos jorrando do fundo da garganta. Gemidos que, por pouco, não se tornaram gritos quando os dentes de Miguel passaram a apertar, mesmo sob a bermuda, o membro de Abeô. Novamente surgiu aquele formigamento, aquele tremor leve que percorreu-lhe todo o pênis e infiltrou-se até os ossos, ganhando a coluna e pernas. Quando o grisalho tirou-lhe a bermuda, Abeô já não conseguia enviar qualquer comando para os músculos. Não que estivesse esmorecido ou cansado, apenas tinha se rendido, completa, absoluta e irremediavelmente. Então, quando a língua do brasileiro lhe abriu o prepúcio e os lábios lhe abraçaram a cabeça do pênis, Abeô sentiu uma onda de formigamento nascer dos testículos e, através da coluna, ganhar cada músculo do corpo. Então, numa convulsão, o africano sentiu a onda retornar para a virilha, concentrar-se no pênis e explodir para fora.

Um imenso sorriso surgiu nos lábios de Miguel, que, afoito, passou a gemer enquanto engolia algo que, talvez, estivesse brotando do sexo de Abeô, lábios e língua massageando tudo bem mais afoitos. Isso, imediatamente, gerou novas ondas daquele tremor, que num único fôlego ganharam, novamente, os testículos do africano, percorreram-lhe o corpo, retornaram para o sexo e explodiram para os lábios do brasileiro, recomeçando o ciclo.

O processo todo continuou por uns vinte minutos, Miguel, afoito, engolindo tudo que o sexo de Abeô lhe dava em suas constantes convulsões e gemidos. Em dado momento, quando o africano sentia que os testículos lhe doíam, o brasileiro desvencilhou-se e fitou o olhar do parceiro, perguntando:

— <<Como é que você consegue “chegá” tanto, tantas vezes seguidas, por tanto tempo?>>

O negro não respondeu a pergunta, nem mesmo tentou. Não conseguiria, principalmente quando o outro voltou a lhe lamber o pênis, dessa vez concentrando-se no corpo, descendo até o saco e ainda por baixo. Abeô levou um susto quando a língua de Miguel tocou-lhe o esfíncter. Aquilo era assustadoramente nojento, mas sugar o pênis de alguém também não era a coisa mais higiênica do mundo. Além disso, o movimento molhado e macio naquela região também provocava uma onda de prazer totalmente nova, diferente da que experimentara antes. Enquanto na outra sentia o corpo contrair-se em ondas formigamento, neste prazer os músculos se derretiam, se relaxavam com tanta intensidade que o africano quase nem conseguia respirar.

Não havia a menor chance de tentar impedir o brasileiro e sua língua. Não enquanto não estivesse totalmente acostumado àquelas sensações, o que, nitidamente, estava longe de acontecer.

Abeô não percebeu Miguel despir a calça e a cueca. Só percebeu que o outro estava nu quando sentiu o calor do membro do grisalho pulsar, no exato local em que passara os últimos minutos acariciando com a língua. Nesse ponto, o africano não conseguia pensar em mais nada, além do fato de que precisava do brasileiro pulsando dentro de si. De fato, Miguel não demorou a introduzir-se, iniciando um vai-vem quente, macio e pulsante no fundo do sexo do gogobear. Nesse momento, aqueles dois novos prazeres se combinaram. Quando o brasileiro quase retirava o sexo de dentro de Abeô, o africano sentia aquele relaxamento no corpo todo, exceto no esfíncter, que se contraía. E quando Miguel voltava para dentro do africano, o negro sentia o corpo todo se contrair, com aquelas intensas ondas de tremores que explodiam para fora do pênis. Foi aí, quando grossas gotas de líquido amarelado lhe saltaram do pênis para a barba, que Abeô teve certeza que jorrava aquilo desde que o brasileiro lhe abocanhara a cabeça do sexo. Que aquele era o líquido que limpava na sala escura, quando ainda era faxineiro. Que aquele era o líquido que tinha na cueca quando sonhara com Aidan.

Pensar no amigo o fez, imediatamente, pensar na caixa, naquele momento jogada num canto da cama. E com ela, lembrou-se também da confusa promessa que fizera ao ruivo.

O pensamento, entretanto, não durou muito. Miguel, ao ver o líquido voltar a jorrar de Abeô, puxou a cabeça do sexo do parceiro para si, abocanhando-a novamente, e sorvendo tudo. Pelos cinco minutos seguintes, o africano experimentou a mais complexa e formidável mistura de dores e prazeres que jamais poderia imaginar. Então, à medida que os movimentos de Miguel se tornaram mais fortes e rápidos, Abeô sentiu o membro dentro de si cada vez mais quente, rijo e pulsante, até jorrar três jatos densos e profundos.

Miguel desvencilhou-se e esmoreceu, deitando-se na barriga de Abeô enquanto murmurava:

— <<Você tem um gosto tão diferente… tão suave, tão doce… nem parece “chegada”.>>

Abeô ouviu aquilo, mas mal registrou. Apenas abraçou o pequeno brasileiro apertado e dormiu, exausto.

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Osiris Reis

Osíris Reis zanzou da Medicina à Mecatrônica antes de assumir a tara por Ficção Fantástica. Formado em Audiovisual pela Universidade de Brasília, é autor de “Treze Milênios” (ficção científica vampiresca), dos contos “Madalena” (Paradigmas 1), “Alma” (Imaginários 1), “Queda” e “Companheiros de Armas” (Fantástica Literatura Queer) e da coletânea de contos “Sobre humanas fúrias”, condecorada com o Prêmio Cassiano Nunes do Fundo de Apoio à Cultura do Distrito Federal.

É o baixo do grupo Supertronica, animador 3d, editor de vídeo e do BNCast, empreendedor, compositor, além de, para os íntimos, consultor tecnológico.

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