Capítulo 39 – Descanse em paz, Thermopolis (NSFW)

Autor: Osíris Reis
Arte: Osíris Reis e Marco ByM

Nota do autor: Para ler os capítulos anteriores, acesse http://www.bearnerd.com.br/series/golem.

 


Levou algum tempo até Abeô parar de jorrar sêmen. Surpreso e maravilhado, Aidan sugava tudo enquanto tentava entender. Como era possível alguém ejacular por exatos vinte e dois minutos e trinta e sete segundos? Cinco golfadas depois, quase inconscientemente, o ruivo tinha começado a contar. Calculava que tinha engolido 1696 jatos no total, o que, de um homem normal, seria equivalente a 848 ml. No caso de Abeô, Aidan tinha certeza de ter ingerido exatos 1.275 mililitros. Como se não bastasse, havia o sabor. As quantidades de glicose e frutose eram absurdamente altas, no mesmo patamar dos licores. Já as concentrações de histidina, glutamina, leucina e isoleucina estavam bem acima de qualquer comprimido disponível no mercado, sem contar minerais como zinco, ferro e vitaminas.

Aidan tinha certeza que, numa situação normal, estaria mais do que bem alimentado pelas próximas setenta e duas horas.

Como Abeô não tinha emagrecido, imediatamente, era outra mistério. O gigante ofegava, coberto de suor, mas não tinha nem mesmo empalidecido. Em verdade, apesar de ter parado de ejacular, o africano ainda parecia pronto para mais atividade sexual. Ele não só mantinha uma robusta ereção como puxava o rosto do ruivo para si, num beijo afoito que deixava claras suas intenções. Aidan, no entanto, afastou-se um pouco e murmurou:

— <<Nós temos que sair daqui. Agora!>>

— <<Mas você não gozou!>>

— <<Nem posso!>>

— <<Mas é claro que po…>>

O tatuado pousou os dedos nos lábios do negro, interrompendo-o:

— <<Os encouraçados, Abeô… Já devem estar a caminho.>>

Aquilo deixou o africano pasmo, mesmo quando Aidan ergueu-se, tirou a mochila das costas e vestiu uma outra camiseta. Apenas quando recebeu ajuda para se erguer foi que o gogobear indagou:

— <<Como é que podem ter nos descoberto?>>

— <<Minha excitação.>> – respondeu o ruivo, enquanto colocava roupas de Abeô na mochila junto com as suas – <<Se eu tivesse gozado, teriam nossa localização exata.>>

— <<Mas como…?>>

— <<Isso realmente importa agora?>> – perguntou Aidan, enquanto atirava um novo conjunto de roupas para Abeô – <<Troque de roupa e calce um tênis. Encontre-me no escritório do Albuquerque. Traga a mochila com o dinheiro.>>

O ruivo deixou o quartinho correndo, mochila nas costas. Também correndo, Abeô tratou de vestir-se. Enquanto suas mãos voavam, a mente também disparava. Como assim, os encouraçados rastreavam a excitação de Aidan? Como é que isso seria possível? Não conseguia imaginar nenhum aparelho capaz disso, mas definitivamente havia muitos aparelhos que não conhecia. Talvez fosse alguma coisa relacionada aos poderes quânticos de Aidan. O ruivo tinha falado algo sobre rastrearem as habilidades deles.

Abeô terminou de se calçar, pegou a velha mochila e correu para o escritório. Havia um pequeno tumulto lá dentro, várias frases simultâneas, em português:

— Eu já ‘tou esperando há mais de meia hora!

— Cadê o Abeô?

— Vambora duma vez, Richard!

A última frase, entretanto, emitida pelo timbre gravíssimo de Aidan, calou as outras vozes.

— Só me deixa falar, caralho!

O africano achou melhor não entrar de imediato. Ouvir o próprio nome no meio da discussão tinha esse efeito. Dessa forma, ele permaneceu no corredor, agradecido por a porta estar fechada. Enquanto isso, lá dentro, o barman continuava:

— Como eu disse, um pessoal muito barra pesada deve estar chegando a qualquer momento, procurando por mim e Abeô. Fechem tudo e saiam, o quanto antes. Saiam do Rio de Janeiro, saiam do Brasil, e não voltem mais!

— Você só pode estar de brincadeira! – soou a voz de Albuquerque – Sabe quanta grana eu investi…

— Eu ganhei o leilão! – soou a voz do namorado de Miguel.

— Se dinheiro é o problema… – bradou o ruivo – Me dá logo a merda desse computador!

Novamente, houve silêncio. Depois, o tilintar de alguém mexendo no teclado, mil cliques soando muito mais rápido do que quando o dono do lugar digitava.

— “Sir” Aidan McNaught? – Albuquerque disparou – Sério?

— Cala a boca. – o ruivo interviu.

— Caralho! – o empresário emendou, tossindo, em seguida, várias vezes.

Os botões do computador continuavam a estalar loucamente, enquanto Aidan dizia:

— Preciso dos números de suas contas. Dez milhões de euros é o suficiente para vocês calarem a boca e fugirem daqui de uma vez?

— Você não pode ter essa grana toda! – resmungou Richard – Você é só um barman!

Abeô não fazia qualquer ideia do que Albuquerque viu naquele momento. Porém, quando ele começou a exclamar “caralho” repetidas vezes, seis bips apressados foram ouvidos e algo metálico estalou. Em seguida, o empresário saiu do escritório, olhos muito arregalados vidrados na tela do celular, ainda com o mantra fálico nos lábios. Menos de um minuto depois, o cliente de pele clara e barba negra, Miguel e Richard também deixaram o local, embasbacados, cada um olhando fixamente a tela de seu celular.

— Abeô! – Aidan chamou-o, de dentro do escritório, assim que os outros três se afastaram o bastante.

O africano adentrou o recinto, mil perguntas na ponta da língua. Contudo, antes que articulasse qualquer uma delas, o ruivo, olhos ainda colados na tela do computador e dedos voando entre as teclas, disparou:

— <<Pegue o dinheiro do cofre e dessas bolsas e coloque na sua mochila.>>

O africano tirou a mochila das costas e, enquanto a enchia com dinheiro, perguntou:

— <<Você tinha todo esse dinheiro, todo esse tempo?>>

— <<Agora  não, Abeô!>> – foi tudo o que o outro respondeu antes de pegar o telefone, discar alguns números e pronunciar, em português – Dispare o alarme de incêndio! Não, não discuta, só dispare a porra do alarme!

Em seguida, Aidan deu mais alguns cliques no computador e ajudou o negro a terminar de colocar o dinheiro na mochila. Quase no mesmo instante, um objeto metálico quebrou a janela e invadiu o escritório. Era uma esfera metálica, com centenas de furos negros na superfície.

Nos milésimos de segundo em que Abeô fitava a esfera, antes que atingisse o chão, o ruivo abraçou a mochila com o dinheiro e abrigou-se embaixo da mesa do computador. Assim que a esfera quicou, centenas de espinhos voaram, a partir dos pontos negros, para todo o cômodo. Só depois de ter vários deles cravados à pele foi que o africano percebeu: cada espinho continuava ligado à esfera por um fio metálico avermelhado. E de cada espinho o africano sentia brotar o tremor, aquele estranho veneno das serpentes metálicas. Da mesma forma que com elas, os tremores não o incomodaram por mais que um piscar de olhos. Pelo contrário: fizeram-no sentir-se mais forte, mais vivo e alerta.

Ele nem precisou pensar para cobrir-se de piche. Puxou os fios próximos à entrada da mesa, rompendo-os, ao que Aidan entregou-lhe as duas mochilas, a de roupas e a de dinheiro, já com as alças folgadas ao máximo.

— <<Coloque uma na frente e outra atrás!>> – gritou o ruivo.

Mal o africano obedeceu, o piche envolveu as mochilas. Elas, em verdade, atravessaram todo o líquido negro e repousaram sobre a pele e ombros de Abeô. Quase no mesmo instante, no jardim entre o escritório e o quartinho, três grandes objetos caíram do céu fazendo as paredes tremerem. E quase imediatamente, centenas de tiros voaram em direção ao escritório.

O africano, instintivamente, afastou a mesa e deitou-se por cima de Aidan, cobrindo o corpo dele com o seu. No primeiro instante, o ruivo gritou de dor enquanto o piche lhe queimava a pele. Abeô também teria gritado se pudesse. Aqueles tiros, de alguma forma, eram muito mais potentes do que qualquer coisa que já tinha enfrentado. Pela primeira vez, sentia pequenas crateras se abrirem no piche, o que doía como jamais imaginara possível.

Segundos depois, Aidan acendeu suas labaredas e as queimaduras começaram a cicatrizar. Novamente, as chamas do ruivo envolveram todo o piche, mas desta vez o africano percebeu que ficava mais resistente a elas. As balas ainda doíam um bocado, mas as crateras que abriam eram bem mais rasas, quase imperceptíveis. Indiferente a isso, Aidan gritou:

— <<Precisamos sair daqui!>>

Abeô assentiu, mas sabia que não seria nada fácil, pelo menos era o que pensava até os tiros cessarem. Mesmo assim, não houve tempo para alívio. Três grandes arpões enterraram-se no piche às suas costas, grossos cabos metálicos em cada. E antes que o africano pudesse reagir, puxaram-no para cima e para fora com força e velocidade vertiginosas.

E foi assim que, após quebrar paredes e telhados, Abeô se viu sobrevoando o Rio de Janeiro, cada vez mais alto e rápido. E o pior: cada vez mais distante de Aidan.

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Osiris Reis

Osíris Reis zanzou da Medicina à Mecatrônica antes de assumir a tara por Ficção Fantástica. Formado em Audiovisual pela Universidade de Brasília, é autor de “Treze Milênios” (ficção científica vampiresca), dos contos “Madalena” (Paradigmas 1), “Alma” (Imaginários 1), “Queda” e “Companheiros de Armas” (Fantástica Literatura Queer) e da coletânea de contos “Sobre humanas fúrias”, condecorada com o Prêmio Cassiano Nunes do Fundo de Apoio à Cultura do Distrito Federal.

É o baixo do grupo Supertronica, animador 3d, editor de vídeo e do BNCast, empreendedor, compositor, além de, para os íntimos, consultor tecnológico.

  • Vandson Carvalho

    haaaaaaaaaaaaaaaaa tava tudo tão bem e BOOM ta tudo tenso de novo kkkkkkkk continue assim osiris <3 na parte que aidan descreve as “propriedades” do esperma de abeô kkkk me veio uma piadinha em mente kkkk isso é quase um leite materno kkkk u-u hehe

    • Osíris Reis

      Se existe “leite moça” e “leite de moço”, esse é o “super leite de moço”. Ou seria “leite de super-moço”?

      Mas veja bem, não são só brincadeiras… tuuuuuuuudo está conectado!!!

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