Capítulo 50 – Contágio (NSFW)

Autor: Osíris Reis
Arte: Osíris Reis e Marco ByM

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Parado à porta do pequeno banheiro, Abeô beijava, afoito, os lábios do ruivo. As ondas de prazer e nojo se alternavam rapidamente, os vermes apareciam e desapareciam de sua imaginação. Num misto de medo e tristeza, ele sugava a língua de Aidan com força, na esperança de engolir de uma vez um daqueles vermes.

Os seres rastejantes e pútridos, entretanto, não apareceram. Tudo que o africano percebeu, surpreso, foi o inchaço entre as pernas do ruivo, por baixo da toalha. Isso foi mais que suficiente para que seu próprio membro crescesse, rígido. Foi suficiente para, quase sem perceber, arrancar a toalha da cintura de Aidan, lábios passando para a orelha e pescoço dele, descendo para o peitoral e mamilos. O nojo praticamente desaparecera, restava apenas o medo. Como iria cuidar de Shanumi se estivesse doente? Como ela reagiria quando soubesse que ele, além de homossexual, estava com AIDS?

Rapidamente, o nigeriano empurrou essas questões para o canto mais escuro de sua mente. Concentrou-se no cheiro dos pelos ruivos, no mamilo eriçado sob a pressão da língua, nos gemidos profundos do tatuado, no calor quase queimante da pele dele. Como tinha desejado aquele corpo! Como tinha sonhado com aquilo, por tanto tempo!

Aidan, de repente, tentou se afastar, sussurrando numa língua estranha antes de passar para o hausa:

— <Não, Abeô! Os seguidores de Monus… Temos que pa…>

O africano mal registrou a força do ruivo. Pro inferno com Monus, os Deuses, o diabo à quatro. Sentia como se tivesse esperado por aquilo a vida inteira! E era bom demais, completo demais, muito melhor do que jamais tinha sonhado. Nada, nem os vermes da AIDS, nem os magos, nem os deuses, nem Shanumi, lhe roubaria aquele momento. Ajoelhou-se, mordendo de leve e sugando com força a barriga volumosa e macia, coberta de pelos alaranjados. O ruivo estremeceu, com gemidos acelerados, apertando-lhe a cabeça num abraço quente e poderoso.

Qualquer resquício de medo desapareceu da mente de Abeô quando sentiu, nos peitorais, o pulsar do pênis de Aidan. Era ainda mais quente do que o restante da pele tatuada, alternando entre rijo e ultra-rijo no ritmo dos lábios e dentes do africano na barriga do ruivo. Isso fez um novo desejo surgir nos lábios do negro, que desceu, afoito, levando os lábios naquela direção. E nesse movimento, ele afrouxou, de leve, as mãos com que segurava o tronco do tatuado.

Isso foi o suficiente para Aidan escapulir por breves instantes, ajoelhar-se ainda mais baixo que Abeô e abocanhar-lhe o pênis sob o tecido da bermuda. A pressão fez o africano emitir um gemido longo e alto, com aquele tremor gostoso brotando de seus testículos, percorrendo-lhe o sexo e explodindo para fora. Mais que depressa, o ruivo rasgou a bermuda e a cueca, retirando o tecido que os separava.

Nos dez minutos seguintes, Aidan sugou com força o membro do africano, engolindo tudo que conseguia daquele licor morno, quase sobrenatural. Abeô mal percebeu como o outro lhe tirou a camiseta e empurrou, devagar, para o colchão no chão fazendo-o deitar-se de barriga para cima. A única coisa que percebeu foi que, assim que parou de jorrar, o ruivo vestiu-lhe o sexo com uma capa de plástico finíssimo. Era bem parecida como aquelas que recolhia na sala escura do Thermópolis, só que bem mais larga. Mesmo assim, era inevitável que não sentisse o pênis um bocado apertado, espremido. De qualquer forma, não reclamou quando, logo em seguida, Aidan lhe engoliu todo o membro, com capa e tudo, cobrindo tudo com saliva. Também não reclamou de maneira alguma quando ele posicionou os quadris sobre seu sexo, sentando-se em seguida.

E foi assim que, em duas respirações de ambos, o ruivo acolheu todo o pênis de Abeô dentro de si.

Sentir o interior de Aidan lhe abraçar o sexo foi a sensação mais gostosa e perfeita e maravilhosa que o africano tinha experimentado até então. Quando, com um enorme sorriso nos lábios, o tatuado começou a lhe ordenhar o membro, da cabeça à base, subindo e descendo, Abeô teve absoluta certeza de que nada poderia ser mais prazeroso do que aquilo. Até que as contrações no interior do ruivo tornaram-se mais fortes e ritmadas, os gemidos mais profundos e o sexo ainda mais quente e rijo. Automaticamente, Abeô sentiu aquele tremor gostoso crescer em seus testículos, inundando-lhe o pênis e explodindo para dentro de Aidan. A reação do ruivo foi imediata. Seu interior apertou o membro do africano com força enquanto seu próprio pênis, em estertores, jorrava cinco gotas de um líquido grosso e quente.

Quando aquelas gotas pousaram sobre sua barriga, Abeô mudou de ideia sobre penetrar o ruivo ser a coisa mais prazerosa do universo. Sentir o calor e até o peso das gotas deixava tudo muito mais intenso e perfeito. Isso fez o africano se perguntar se tinha realmente explorado todo o prazer daquele momento. E foi assim que, rapidamente, tomou aquelas cinco gotas nos dedos, levando-as, afoito, à boca.

Mais que depressa, Aidan segurou-lhe o punho, dizendo:

— <Não mesmo, Abeô! Por favor, não faz isso comigo!>

O negro, ainda em êxtase, preferiu ignorar o namorado. Pelo menos até o ruivo lhe segurar o pulso com as duas mãos, implorando:

— <Eu não me perdoaria se você pegasse a minha doença!>

Aquilo pegou o africano de surpresa. Era bem verdade que, em momento algum, tinha sentido nada rastejar sob a pele de Aidan ou dentro dele. Isso porque, no fundo, provavelmente a doença nada tinha a ver com vermes pútridos. Mesmo assim, no fundo, acreditava que já tinha ficado doente em algum momento enquanto beijava o ruivo, sugava-lhe os mamilos e a barriga.

A fala do ruivo, entretanto, dava novo sentido a tudo. Não apenas ele não ficaria doente, como também tinha certeza que Aidan jamais faria qualquer coisa que o contaminasse. O que fazia todo sentido. Como é que ele, Abeô, se sentiria caso o ruivo ficasse doente por causa dele?

Como uma avalanche, uma montanha de ideias pré-concebidas desmoronou no cérebro de Abeô. Foi assim que, repleto de alegria, ele percebeu que tocar, beijar e fazer sexo com seu amor não estavam entre as formas pelas quais o contágio aconteceria. E que não, não precisava ter medo ou nojo de Aidan, tanto quanto não precisaria sentir-se mal a respeito dele se estivesse gripado. Bastava tomar os devidos cuidados, que, provavelmente, tinham a ver com a capa de plástico e não engolir o líquido de Aidan. No fundo, o ruivo ainda era, com doença ou sem doença, o mesmíssimo que ele desejara quando o vira pela primeira vez em Manaus. E era alguém precioso demais para que Abeô o deixasse escapar por medos infundados que sua mãe plantara em sua mente.

Sorrindo, Abeô abraçou o ruivo fazendo-o deitar com o rosto em seu peito. Era extremamente gostoso sentir as duas barrigas, macias, apertando-se mutuamente, pelos e líquido denso, quente, entre a pele negra e a branca. Aidan, entretanto, não ficou muito tempo naquela posição. Ergueu-se e disparou as palavras, já se levantando enquanto tirava o membro do negro de dentro de si:

— <Foi absolutamente irresponsável o que a gente fez! Mas se tivermos sorte, a gente consegue fugir antes que os magos e os encouraçados cheguem!>

Rapidamente, o africano lembrou: a doença fazia com que a excitação de Aidan fosse rastreada. Apressado, pegou uma nova muda de roupas numa das mochilas e perguntou:

— <Quanto tempo até chegarem?>

Aidan respondeu, já vestido:

— <Se não tiverem novos aviões e vierem de Manaus, mais dois ou três minutos; trinta e cinco se vierem de Brasília.>

O africano terminou de vestir-se o mais rápido possível. O ruivo ajudou-o a colocar as duas mochilas no corpo, abriu a porta e sairam correndo. Ambos passaram pela recepção como um tiro, assustando a recepcionista. Assim que saíram, entretanto, a primeira coisa que viram foi uma luz aproximar-se rapidamente no céu.

Abeô voltou a olhar para o solo quando ouviu dois bipes vindo do carro. Aidan já entrava e abria a porta do passageiro para o africano, que sentou-se o mais rápido que conseguiu.

Enquanto o africano tentava colocar o cinto de segurança e o ruivo girava a chave, quatro estrondos foram ouvidos ao redor do carro. O primeiro deles, logo à frente, foi prontamente reconhecido pelo africano como um encouraçado. Só que ainda maior e com muito mais armas. Felizmente, antes que a coisa atirasse, Aidan fez o carro arrancar e voltar-se para a diagonal esquerda, à frente. O negro ainda tentava afivelar o cinto mas, com o canto do olho, viu outros dois enormes encouraçados correrem atrás deles, atirando. Uma trilha de grandes explosões cresceu rápida atrás dos carro que, por muito pouco, não foi atingido.

Enquanto lá trás o posto de combustível explodia, Aidan girava o volante para a esquerda e a direita, fazendo o carro dançar loucamente. Não demorou para Abeô perceber que não era apenas das balas que ele desviava. Novos encouraçados desciam do céu, quase à frente do carro, cada um com pelo menos o dobro do tamanho do veículo. Assim que aterrisavam, tentavam golpear o carro ou segurá-lo de alguma forma, e só não o conseguiam pelas manobras do ruivo. Mesmo assim, o número de encouraçados e tiros atrás do carro só aumentava.

— <Bosta!> – Aidan gritou, olhos colados na estrada. Ainda tentando encaixar o cinto, em meio a todas as peripécias do carro, o africano não entendeu aquilo de imediato. Porém, quando cinco encouraçados caíram formando uma meia lua à frente, percebeu que não havia nada que Aidan conseguisse fazer para se desviar.

O ruivo ainda fez uma manobra para a esquerda, que fez o carro inclinar-se lateralmente, ficando apenas sobre duas rodas. Foi dessa forma que o veículo avançou para a maior brecha entre os encouraçados à frente. Quando um dos enormes robôs ergueu um braço para tentar tapar a brecha, Abeô desistiu de colocar o cinto. Firmou-se como pôde no carro, incerto se conseguiriam passar ou não.

O impacto veio muito mais breve que um piscar de olhos. Sob os pontos em que se apoiava, Abeô sentiu plástico e metal se rasgarem, abrindo passagem para seu corpo. E  foi assim que o nigeriano foi arremessado uns cinquenta metros além da linha dos encouraçados.

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