25 jan 2011

Publicado por em Aleatório, HQs | 2 Comentários

Os 7 melhores personagens gays dos quadrinhos americanos

Os 7 melhores personagens gays dos quadrinhos americanos

Olá a todos!!

Meu nome é Lima e é com muita honra que aceito o convite do Bear Nerd para escrever escrever esta coluna.
Na matéria de estréia, eu pego emprestado uma lista elaborada pelo artista Ty Templeton para seu interessantíssimo blog: http://tytempletonart.wordpress.com (mais interessante que o blog, só seu autor, que é um ursão responsa! Voltando ao assunto, em seu site Mr Ty publicou uma lista com os 7 melhores personagens gays dos quadrinhos americanos e é esta lista que coloco aqui para você leitor do BearNerd ler, apreciar e discutir!

Wiccano (Billy Caplan) e seu namorado Hulkling (Ted Altman)
Ele é (mais ou menos) o filho da mutante Wanda Maximoff (Feiticeira Escarlate), o que faz dele sobrinho de Pietro Maximoff (Mercúrio, também vingador mau-caráter), neto de Magneto (vilão dos X-men), irmão gêmeo de Célere (Membro dos Novos Vingadores) e filho adotivo do Visão da era de prata (que já foi conhecido como Tocha Humana da era de ouro!) – Wiccano também é primo de Luna, filha de Cristal que já foi namorada do atual Tocha Humana, o que o liga a primeira família da Marvel: O Quarteto Fantástico.

O namorado de Billy também tem seu berço no meio do universo Marvel, sendo filho do Capitão Marvel com uma princesa Skrull chamada Analee. É dito que sempre há um membro gay numa família grande (quer você saiba ou não), e a Marvel finalmente admite esse dado dentro do cerne de uma das suas principais famílias.

Mas o que realmente coloca Billy nesta lista são estas cenas tiradas de Young Avengers Presents #3 (no Brasil foi publicado em Marvel Especial #11 Jovens Vingadores) em que passa boa parte da revista em companhia de seu irmão procurando sua mãe considerada morta. Nesta busca são avisados de que não encontrarão sua mãe e receberam este conselho:

Quando em casa depois, com Hulkling, ele percebe o quão maravilhoso aquele momento estava sendo…

Perceba, seu namorado não era uma tentação a ser negada, não era um problema a ser resolvido ou um segredo a ser escondido de sua família – seu namorado era uma benção mágica em sua vida. Ai está seu final cheio de esperança, e vindo direto de alguém da família Marvel!


Batwoman (Kate Kane)

Nas primeiras páginas de sua história de estréia, a personagem Kate Kane não disse muito a que vinha. Belamente ilustrado por J. H. Willians III, o roteiro de Greg Rucka estava recheado de ação e um culto maléfico baseado em Alice no País das Maravilhas. Tudo muito legal, mas não havia um momento da personagem que a distinguisse dos demais títulos do Batman.

Mas então chega esta cena, em Detective Comics 856 (publicado em A Sombra do Batman #3 no Brasil), onde a senhorita Kane comparece a um evento de caridade vestida num Smoking preto, uma maquiagem pós- gótica e desfilando como se aquele fosse seu palácio.

Sua confiança ao encarar parentes descontentes e seus flertes abertos a colega policial Maggie Sawyer (que teve sua estréia nos gibis na clássica fase de John Byrne em Super-homem nos anos 80) ganhou a simpatia dos leitores e começou a mostrar o quão tri-dimensional Kate poderia ser.

Sua linguagem corporal, suas falas, aquele toque de arrogância, tudo isso enquanto ela investiga as pistas de um super-crime em sua mente; de certa forma ela lembra muito o Bruce Wayne clássico. Com características que nem Dick Grayson ou Barbara Gordon ou Tim Drake teriam – a maneira como Kate simplesmente COMANDA o salão e a história.

Nos números seguintes conhecemos a bizarra história: A tragédia brutal de sua família, seu “desligamento” honrado do exército (relacionado a política “Don´t ask don´t Tell” do exército americano) e sua complexa e maravilhosa relação com o pai. E, oh sim, ela é gay. Só parte da história geral da personagem.


Mark Slackmeyer (da tira de jornal Doonesbury inédita no Brasil)
Mark é um dos quatro personagens fundadores de uma das melhores tiras de jornal dos EUA. Considerada uma das 5 melhores tiras de jornal do século XX (Pogo, Calvin e Haroldo, Minduim e Ferdinando são as outras 4), após DÉCADAS de sua história pessoal nas tiras, ele se revela gay.

Paraceu um pouco forçado na época, mas o autor Gary Trodeau mostrou que não se deve duvidar do trabalho dele. Ordenando por alto, Mark Megafone, o estudante radical ultra –liberal que depois se torna radialista namora com um homem que é seu oposto em quase todo sentido – um republicano conservador pró capitalismo chamado Chase Talbot III (que é a encarnação dos odiados valores ultra-conservativos de seu pai) e eles se tornam o casal sempre em disputa no rádio. Um quadrinho brilhante, ótima sátira e uma comédia humana bem real pra qualquer um que já passou perto de um complexo de Édipo.

Mark e Chase estão separados agora, mas seu tempo juntos foi com certeza um dos pontos altos desta que é a melhor tira de quadrinhos sendo publicada nos jornais até hoje.


Meia-noite e seu amável marido Apolo
Da maior revista ultra-direitista e ultra violenta da Wildstorm vem o mais militante super-heroi homosexual da história.
O que não adorar no Meia-Noite? Ele é o Batman Gay caramba! De quebra ele ainda tem um poder de cicatrização instantânea e um temperamento assassino que faz dele o Wolverine-Batman gay! Ou seja ele é o Darkclaw gay! E seu namorado é basicamente o Super-homem gay. O que faz até heteros desejarem ser gays, só pra curtirem ainda mais o Meia-Noite.

O que começou como uma piada sobre um subtexto antigo entre os dois personagens chave da DC, se tornou um par de personagens realmente interessantes nos anos seguintes de Stormwatch e posteriormente em Authority. Meia-noite e Apolo eram um pouco mais sanguinolentos do que esperado, um pouco mais leais a si mesmos do que o esperado e mais demonstravam muito mais afeição física do que qualquer personagem gay daquela época. Mas eram escritos com esperteza e caráter mesmo se os diálogos fossem apenas para zombar da atitude britânica. E eram um casal genuíno, compromissados um com o outro tendo até adotado uma filha, a Jenny Quantum.

Ao ser lançado seu título mensal, Meia-noite teve uma das melhores histórias de viajem no tempo dos últimos anos e ótimas histórias fechadas.
Afinal, ele é o Darkclaw gay!


Lawrence Pirier – For better of for Worse.


Sair do armário em 1993 era algo perigoso para se fazer. E a autora Linn Jonhson, da tira For Better or for Worse, descobriu que sair do armário nas tiras de jornal também era perigoso.
Quando o amigo de infância de Michael Paterson, Lawrence, contou a ele que era gay, Lynn Jonhson recebeu centenas de cartas de ódio e ameaças de morte de todo lugar do país… simplesmente por mostrar ao público das tiras de jornal que uma pessoa gay simplesmente existe. Mais de 100 correspondências chegaram a sua mesa pedindo que o ofensivo Lawrence fosse retirado do foco da tira. E a intolerância não estava apenas no mundo real para este adolescente. Ao dizer para o padastro que estava apaixonado por um garoto de faculdade, Lawrence acabou sendo expulso de casa.


Diante de todo o abuso e ódio, Lawrence permanece sereno e educado. Ele fala agradece seu amigo Michael pelo apoio e espera pacientemente que todos percebam a maneira ruim que o trataram. Ele transforma o fato em um épico de dignidade diante de um turbilhão de comportamentos intoleráveis vindo de quase todos que conhece. Tudo vindo de um pequeno, levemente aterrorizado adolescente de 17 anos.


Toland Polk (Stuck rubber Baby)
Toland Polk é um personagem fictício, baseado no início da vida do escritor/desenhista Howard Cruse, um dos mais notáveis cartunistas underground abertamente gays dos anos 70 e 80. A graphic Novel Stuck Rubber Baby é uma narrativa densa que conta o começo da vida adulta de Toland no sul dos Estados Unidos e sua descoberta a passos lentos de que era levemente racista e muito gay. E que ele só podia ser ou um ou outro.

Considerado um dos melhores livros sobre o amadurecimento, Stuck Rubber Baby ganhou os prêmios Harvey e Eisner de 1995 como o melhor quadrinho do ano. Entre outros incontáveis prêmios mundo afora. Stuck Rubber Baby é, junto com Maus, Gen Pés Descalços e Contrato com Deus, uma rara historia de vida em quadrinhos que NUNCA vai sair de sua cabeça. Ao final da leitura, Toland Polk se torna um dos seus amigos favoritos.


Esperanza “Hopey” Glass (Love and Rockets)
Ah, Love and Rockets. O quadrinho dos anos 80 que você podia emprestar para sua namorada e ela ia entender do que se trata.
LIÇÃO RÁPIDA DE HISTÓRIA: Garotas começaram a virar fãs de quadrinhos por causa da série Locas de Love and Rockets, muitos anos antes de Sandman ser uma faísca no olho arrepiante da Vertigo.
Apesar de ter começado como uma história Sci-fi sobre duas amigas mecânicas de foguetes chamadas Maggie e Hopey e a enorme queda de Maggie pelo colega mecânico Rand Race, a série se tornou a história de duas mecânicas desempregadas e preguiçosas que passam o tempo no cenário punk rock e de Lucha Libre da America hispânica dos anos 80. Se apaixonando e entrando em encrencas as duas juntaram um grupo surpreendente de personagens de apoio complexos e interessantes. O que mantém a série unida é o fato que todos os personagens amam sua protagonista: Maggie Chascarillo:
Ray ama Maggie; Speedy amou Maggie; Pennie ama Maggie; Izzie ama Maggie e os leitores amam Maggie. Porém, mais importante: Hopey ama Maggie!

Hopey realmente ama Maggie. A presença de Maggie faz o coração lésbico punk festeiro das ruas de Hopey derreter. E Maggie também ama Hopey, porém Mags não consegue ficar longe de homens pra sempre… nem por Hopey. E esse é o foco do drama de boa parte da primeira década de seu relacionamento.
Todos vimos o coração de Hopey se partir algumas vezes e no processo nos apaixonamos pela garota punk abrasiva que não consegue tocar baixo por nada nesse mundo. Ela é irritantemente humana afinal.


Ainda existem muitos personagens gays nos quadrinhos, independente de serem bons ou não. No Brasil mesmo nós temos alguns exemplos como os cowboys Rock e Hudson de Adão Iturrusgarai; Hugo, o personagem bissexual de Laerte; Nanico, a outra metade de Meiaoito, de Angeli e nem contamos os personagens dos quadrinhos underground como Katita de Anita Costa e Jack Fag, criação da dupla José Salles e Manú Tom e as nossas conhecidas tiras eletrônicas: Ber the bear, de Rafael Lopes e Orson & Bearnardo de ByM.

Na nossa próxima coluna traremos a lista com as 7 tentativas mais infelizes de criar personagens gays nos Comics.

Até lá!

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  1. disse:

    Ótima lista, não conhecia nenhum desses personagens de tiras. Apenas citaria a dupla Katchoo e Francine de “Estranhos no Paraíso” que eram muito legais.

    Outro personagem que gosto muito é a Lord Fanny da série “Invisíveis” do Grant Morrisson.

  2. Ótima matéria, mas realmente faltou o premiado e inesquecível “Estranhos no Paraíso” com o casal Katchoo e Francine de

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