Hoje o Bear Nerd tem o prazer de entrevistar Drew Green, autor de “As Aventuras Super Gays de Ross Boston”. Segue:

BN – Olá, Drew. Primeiramente, obrigado por nos dar essa entrevista. Você pode começar nos dizendo um pouco sobre você? De onde você é, qual a sua idade, há quanto tempo você desenha?

Obrigado pelo contato, e pelo interesse no meu trabalho! Meu nome é Drew Green, tenho 22 anos, sou de Atlanta, Geórgia, nos Estados Unidos, e eu desenho praticamente pela vida toda. Meu pai diz que eu comecei por volta dos três.

BN – Quais as suas influências artísticas? Seu trabalho parece ser bastante influenciado pelo estilo do Genndy Tartakovsky, é correto afirmar isso?

Sim, é. Eu ouço muito essa comparação, e ela é justa e razoável. Meu estilo não é exatamente o do Tartakovsky, mas o trabalho dele me influenciou muito, especialmente em Sym-Bionic Titan (que infelizmente foi cancelada) e Samurai Jack. O trabalho do Craig McCrackens também foi muito importante. As Meninas Superpoderosas é um dos meus desenhos animados favoritos, e a Mansão Foster para Amigos Imaginários é um dos programas mais engraçados já feitos (bom…por 3 ou 4 temporadas, daí eles perderam um pouco o pique).

É curioso que, apesar de ser um desenhista de quadrinhos, eu pegue tanta inspiração dos desenhos animados. Eu na verdade leio bem poucos quadrinhos.

BN – “Ross Boston” é o seu primeiro quadrinho? Como você teve a idéia?

“As Aventuras Super Gays de Ross Boston” é o meu primeiro projeto a ser publicado de uma maneira significativa. Eu já tive outras idéias de quadrinhos que meio que foram abandonadas, frequentemente logo antes de começar a trabalhar nelas. Eu acho que um dia eu posso ressuscitar esses projetos, refiná-los e fazer coisas interessantes com eles, que talvez eu não fosse capaz de fazer quando os concebi.

Esse quadrinho (Ross Boston) de uma clara ausência de personagens gays que fossem bem trabalhados, variados, únicos e que servissem pra mais do que mero alívio cômico. Eu queria uma história que fosse centrada nos personagens gays, cuja sexualidade pudesse ser o fio condutor das histórias ocasionalmente. Nem todos os personagens em “As Aventuras Super Gays de Ross Boston” são gays, mas todos eles têm propósitos e funções diferentes. Há o alívio cômico na forma do espirituoso alienígena gay Sassquatch Lavender, mas também temos o protagonista Ross Boston, o namorado babaca dele, Brian Bomber (que é tipo um vilão menor), e a ex-espiã super secreta Nickki Noelle, que tambem é a primeira personagem lésbica que eu já desenhei e escrevi, e uma das minhas personagens favoritas do elenco. Na verdade, existem outros personagens gays que são igualmente diversos, mas eu vou revelá-los com o tempo.

BN – Além do desenho, que é sensacional, Ross Boston tem uma narrativa bastante ágil e fluida. Como você aborda isso? Você planeja muito a diagramação das páginas, ou é um processo mais espontâneo?

Obrigado! O processo do quadrinho é surpreendentemente espontâneo. Eu tenho um rascunho pro primeiro episódio com algumas páginas escritas, de maneira bem solta num caderninho barato, que eu tenho sempre à mão. Daí, eu geralmente escrevo uma descrição mais detalhada de cada cena principal, pra eu ter uma boa idéia de como desenhar no estágio do esboço. Daí eu desenho os esboços (BEM displicentemente) e também escrevo os diálogos. Eu acho importante escrever nesse estágio dos esboços, pra que as palavras e as imagens possam trabalhar bem juntas. Uma não deve necessariamente se sobrepor à outra.Depois disso, eu desenho a página, arte-finalizo, faço a colorização, as letras, e está pronta!

O que faz o processo ser espontâneo é o fato de eu ter pulado pra fazer esse quadrinho sem um acúmulo de tiras. O que quer dizer, essencialmente, que eu trabalho toda semana pra atualizar, já que eu não tenho uma reserva de páginas prontas pra alguma emergência. Como você pode imaginar, é um verdadeiro desafio, e me deixa doido. Mas também me mantém afiado!


BN – Ross Boston tem uma aparência de cub, isso é proposital? Você se vê como um cub ou urso? O quanto isso influencia, se é que influencia, as histórias e personagens que você cria?

Eu acho que é apropriado dizer que o Ross é um cub, e acho que é isso que eu queria quando o criei. É importante pra mim que os leitores possam torcer por um herói que é um tipo diferente de personagem gay. O Ross não tem barriga de tanquinho ou bíceps incríveis, ou um queixão quadrado ou nem mesmo uma mala grandona. Ele é só um cara fofinho e bonitinho. Eu queria que ele fosse divertido de desenhar regularmente, então ele é o tipo de cara pelo qual eu me sentiria atraído, e eu fico feliz de dizer que não me aborrece nem um pouco desenhá-lo!


BN – Ross Boston começou a pouco tempo como uma web comic, como tem sido o retorno? Quais os seus planos para o quadrinho? Você tem intenção de publicá-lo no futuro como uma edição impressa?

Muitas web comics terminam no dia em que começam. O autor fica desanimado de descobrir que não há público pro seu quadrinho recém-nascido, e percebem que é difícil trabalhar tanto no que é essencialmente o vácuo. Eu tive muita sorte por que eu basicamente já tinha um público embutido quando eu comecei o quadrinho, e ajudou que eu fiz bastante barulho a respeito antes de começar. Eu realmente não podia pedir uma resposta melhor, e eu espero que as pessoas continuem acompanhando pra descobrir o que acontece a seguir!

A história é dividida em episódios, e o plano é ter edições impressas de cada episódio através de algum serviço e impressão on-demand (provavelmente o Ka-Blam). Cada vez que um episódio terminar, eu posso oferecer uma edição impressa com alguns extras, pro público que puder dar uma força pro gibi e pra mim dessa forma. O que serão esses extras ainda precisa ser definido. Ainda demora um pouco pro episódio 1 ficar disponível pra venda, mas eu aviso todo mundo quando acontecer!

BN – A gente sabe que o Ross tem um namorado, e pela galeria de personagens dá pra ver que não é uma pessoa legal. Como vai ser a presença dele na série.

Brian Boomer é o namorado do Ross Boston. Ele é um gerente assistente de uma loja de vídeo, é extraordinariamente desagradável, e é absolutamente terrível com Ross. O jeito como Brian trata o namorado nos informa muito sobre o caráter do Ross, e por que ele é meio acovardado e derrotista. Mas eu acho que os leitores descobrirão que, à medida que o Ross começa a ganhar auto-confiança e seu trabalho com a Equipe de Aventura Bobslist ficar mais interessante, Brian vai se revelar mais do que só um namorado desagradável.

BN – Pra terminar, o palco é seu – Fique à vontade!

Eu quero dizer que o quadrinho ainda está no começo, alguns dos personagens e situações mais extravagantes ainda não foram apresentados, e eu me sinto abençoado e agradecido que mesmo assim as pessoas estejam acompanhando. Dê um tempinho e você vai entender o coração, a alma e o humor da tira. Ah, e pra promover descaradamente, você pode acompanhar a tira no facebook no endereço http://www.facebook.com/rossboston e no Twitter no endereço http://twitter.com/#!/sasslavender. E, pra ver mais do meu trabalho, eu também estou no Tumblr: http://drew-green.tumblr.com/.

Mais uma vez, muito obrigado!