Esta pergunta diz muito sobre a referência pop – frase de uma diva – em meu trabalho como ilustrad…Ops!

Perdoe-me, vou me apresentar.

Sou o La Cruz: negro, bicha, gordo, universitário cotista na UFMG, belorizontino, 25 anos e…ilustrador (risos).
A forma como me apresentei diz muito sobre o que irei abordar neste texto e como isso está relacionado a mim enquanto artista visual.

Fui incentivado pelo Wally a escrever para o Bear Nerd sobre minha militância LGBT e NEGRA em minha produção artística.
Quando surgiu a ideia, a primeiras perguntas que me fiz foram:

-O que é militância?

-Como isso está concatenado às aquarelas que faço?

Uma constante em minha vida é a busca por uma qualidade e identidade técnica e artística em meu traço, o que me fez ir da colagem à aquarela, agregando implícita e explicitamente discussões que giram em torno da representatividade negra e LGBT.

É uma via de mão dupla, pois os retratos em aquarela que produzo – principal técnica que uso atualmente – reverberam minha vivência como um jovem produtor de cabelo black que dança até o chão e que vive numa cidade em que (a)briga o conservadorismo e as lutas das minorias.

A partir disso, entro no aspecto de representatividade como a figura que carrega a identidade de minorias. E que vê no Canson gramatura 300 mais que a mistura de pigmentos no pelo de marta do pincel. Mas também alguém que vê na Beyoncé, Michael Jackson, Mulher-Maravilha,Viola Davis ou Madonna uma oportunidade de não só falar sobre o assunto, comode  incorporar aquilo que tange as discussões das militâncias de maneira aprofundada, concatenando com a cultura de massa e underground.

Não é muito diferente para mim desenhar um orixá, um viado gordo, um herói ou heroína da Marvel/DC, uma diva pop ou uma charge política, pois o grande revelador é a receptividade dos seguidores em redes sociais, o que torna evidente meu papel de provocador nestes espaços.

Não se trata de ganhar likes, mas de assumir um protagonismo de artista negro e gay e de tentar, por meio das figuras inconográficas da cultura pop, um um ponto de reflexão/discussão – personagem negra e mulher no lugar de Tony Stark? Machado de Assis era negro? – e também tomar artistas como Malick Sidibé ou Ambroise Ngaimoko  – retratistas negros – como referências que devem ser evidenciadas neste contexto eurocêntrico.

Ou seja, sou parte do que desenho e pinto também, e isso me põe como contribuidor desta História de luta que é muito anterior a mim.

Respondendo a pergunta-título:

-Já estou fazendo!
Qué que desenha?

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