Bendita Cura Ganha o Prêmio HQ Mix!

Preconceito tem cura!

WOOF, Berds!

Hoje temos uma notícia ótima – Saiu a lista com os ganhadores do Prêmio 31º HQ Mix, e o nosso velho amigo Mário César, autor de Bendita Cura e Ciranda da Solidão, entre muitas outras obras, ganhou o prêmio de melhor webquadrinho com Bendita Cura!

A gente fica MUITO feliz, não só por ser um quadrinho foda de um autor que a gente admira muito, mas por ser uma obra LGBTQ, de um autor gay, ganhando um prêmio tão importante num ano tão complicado pras minorias no Brasil.

E conversamos um pouco sobre isso com o Mário, olha só:

Tudo jóia, Mário? Você ganhou o HQ Mix 2019 na categoria webquadrinho. Você já tava esperando?
Ai, Gabi, só quem viveu sabe…rs
Está sendo incrível. A gente sempre fica na expectativa, mas nunca sabe se vai vencer ou não. Fui indicado ano passado também, mas dessa vez o Léo Finocchi não deve ter renovado o pacto pra vencer de novo, graças a Cher!
(nota: O Léo ganhou pelo Hell No ano passado. Ao ser perguntado sobre a falta de renovação do pacto, ele apenas riu misteriosamente)

Como foi receber a notícia?
Foi de lavar a alma receber a notícia. É um quadrinho muito especial pra mim pela temática que ele aborda, ainda mais nesse período tão tenebroso que estamos vivendo de censura explícita a obras com temática LGBTQ+.

Pois é, já ia te perguntar isso – À luz dos acontecimentos recentes na Bienal, o que quer dizer, pro seu trabalho especificamente, e pro trabalho de temática LGBTQ em geral, esse reconhecimento?
Pra mim significa o mundo vencer este ano por este trabalho. Significa que não vão calar artistas e LGBTQ+s como estão querendo fazer.

Crédito da foto: @axiaprodutora

A Globo essa semana censurou um beijo lésbico na novela das seis, alegando “decisão artística”. Você acha que é um reflexo desse momento? O que o artista independente pode fazer pra resistir, num clima como o que estamos vivendo agora?
Não soube desse caso específico pra comentar sobre, mas não duvido que dentro de grandes emissoras e grandes veículos pode acabar se adotando uma censura interna temendo cortes de verba de publicidade ou alguma alguma retaliação do governo atual.

Artistas independentes precisam continuar produzindo seu material e não se calar. O sucesso da POC CON mostrou como tem demanda por este tipo de material feito por autores LGBTQ+s. Precisamos nos organizar mais como categoria também para lutar contra o fascismo que está se instalando no Brasil.

Organizar como?
Não temos ainda um sindicato ou organização que nos represente perante o poder público e dê orientação jurídica como outras categorias tem, por exemplo.

Ah, isso é interessante. E me leva a uma outra pergunta: O artista pode se dar ao luxo de não ser político em sua obra? Existe arte apolítica?
Toda arte é política, querendo ou não. Não existe isso de arte apolítica. Mesmo quem quer se isentar está assumindo um posicionamento político. Ficar em cima do muro quando se tem opressão é ser conivente com o opressor. No caso de artistas LGBTQ+s, como eu, é quase impossível se manter calado porque nós somos um dos principais alvos do conservadorismo e, em muitos casos, é nossa própria existência que está em jogo. Quem acha que pode ser isento precisa parar um pouco para enxergar os próprios privilégios.

Pra finalizar, tem mais alguma coisa que você queira dizer? Você está com uma campanha no Catarse rolando AGORA pra publicar o segundo volume impresso de Bendita Cura, não é?
MIM AJUDA! rs
Queria agradecer do fundo do coração a todos que votaram em mim no HQ Mix e vamos fazer o segundo volume de Bendita Cura acontecer. E apoiem também outros projetos de autores LGBTQ+ no Catarse também!

A gente queria muito parabenizar e agradecer ao Mário, pelo prêmio e pela entrevista. E avisar que ainda tem dez dias pra você apoiar a campanha dele no Catarse. Então, CORRE LÁ, Berd, e contribua!

E, caso você ainda não conheça Bendita Cura, você pode ler os capítulos que já saíram online, no Tapas, aqui.

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